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sábado, 30 de junho de 2018

10 KM PARIS ADIDAS - 10 KM - 10.06.2018 (2ªparte)

Como em todas as provas, obviamente umas mais do que outras, stress. Sempre o stress de ter medo de adormecer (mesmo que nunca tenha acontecido sequer para o trabalho), o stress de ir à casa de banho, de comer algo sem que me dê a volta à barriga... tudo isso faz com que a minha noite seja feita de pequenos sobressaltos em que vou acordando de 2 em 2 horas no receio de me ter deixado ficar.
Às 8h não deixei o alarme tocar e acabei por me levantar, tendo em conta que ia partir no último bloco a hora de partida seria às 11h pelo que estava mais do que dentro do tempo. Mandei goela a baixo uma torrada com doce de frutos vermelhos e um café, ainda estive de volta do ipad tranquilamente e como por magia a ida à casa de banho sucedeu-se (desculpem mas é tão raro que aconteça quando ainda estou em casa que a felicidade é enorme e tive que partilhar), daí estava basicamente tudo feito, tinha preparado tudo no dia anterior, foi só vestir, lavar dentes e pronta para sair.
Os transportes foram tão tranquilos que cheguei às 10h23, o que significa apanhar seca até a corrida começar.
Como sempre em Paris, a meteorologia é coisa manhosa, estava cinzento, encoberto com previsão de trovoadas (secas) e uns absurdos 28º graus. Paris é uma cidade cheia de poluição e isso faz-se sentir bastante, o ar estava pesado e tornava-se difícil de respirar, mas eu já estava no meio daquela confusão, já tinha pago e tinha um dorsal que me pertencia, pelo que estava ali para terminar os 10 km.
A partida deu-se poucos minutos depois das 11h, fui seguindo o "bandeirinha", durante algum tempo mantive sempre a mesma distância dele, não olhei para o relógio, não queria ver tempos, por instantes achei que estava a ir bem...
Comecei a sentir o cansaço, a respiração também não estava a 100%. Parei. Andei. Andei. Alguém me deu um toque no ombro de coragem e lá ganhei uma força e segui mais uma vez.
'Abastecimento em 200metros' - li.
Precisava tanto, estava muito abafado, doíam-me as pernas, custava-me a respirar. Assim que parei para agarrar as águas, entrei em aflição, parecia um ataque de pânico, não estava a conseguir respirar, comecei a ofegar e a entrar em desespero, deu um gole e tentei acalmar-me, mas pareceu-me pior depois da água, mas tentei controlar o desespero e andar e tentar respirar calmamente.
Andei durante uns quantos metros, alguém me deu um toque nas costas, mais uma vez em jeito de força e lá dei por mim a tentar novamente, as pernas nem se estavam a queixar muito mas a respiração não estava fácil, o ar pesado também não estava a ajudar, como no abastecimento apanhei 2 garrafas, com a segunda aproveitei e molhei a cara, braços, ombros e o peito, soube bem e ajudou a acalmar-me.
Para quem não treina faz tempo, obviamente que sabia que ia ser difícil, pelo que o resultado foi o esperado, caminhei bastantes vezes, tentava correr mas como a respiração teimava em não acalmar acabava por caminhar, os quilómetros foram passando lentamente e perto do fim, no quilómetro 8 quando estava a caminhar, mais alguém me deu a mítica palmadinha no ombro e lá segui até cortar a meta.

10km feitos depois de não sei quanto tempo.

Quando passei a meta precisei mesmo de parar e respirar, mãos nos joelhos e ofegante, tentava encontrar o equilíbrio, não podia ficar naquela posição muito tempo pois não me faz bem depois do esforço, por isso caminhei lentamente até à saída, apanhei a minha medalha (gira por acaso), uma banana, 2 garrafas de água e segui caminho à procura do comboio/metro mais perto.

Sentia-me bem. Que saudades desta sensação!! Cheguei a casa e sentia-me feliz, mesmo não tendo sido uma prova excepcional, muito pelo contrário, mas sentia-me extremamente bem e feliz!






M. 

segunda-feira, 25 de junho de 2018

10 KM PARIS ADIDAS - 10 KM - 10.06.2018 (1ªparte)

Já fazia um tempo... o ano passado foi provavelmente dos anos que participei em mais provas e adorei.

A verdade é que toda a mudança de vida de certa forma também, talvez mais cabisbaixo e por consequência a falta de vontade é enorme, não esquecendo que quando ainda fazia um esforço para manter os meus hábitos houve neve, muito frio e acabou por desvanecer toda a vontade que ainda restava... ficou o medo.

Medo ? - perguntam.

Sim, ganhei medo, medo de sair e de ficar cansada, de ver a minha velocidade ainda pior do que o que era, medo da respiração ofegante e de não controlar a asma, medo de querer correr 10km e de não aguentar nem 1km.

É, sei. Parece muito estúpido.

Entre as mil mudanças da minha vida, vai mais uma só para desestabilizar um pouco mais e lá mudo de cliente, a minha missão anterior não ia de encontro às minhas expectativas (já nem sei quais são elas) e pedi à minha manager para trocar de missão.

Deu-me um ataque de pânico no meio de tanto nervosismo e pensei que o que me poderia ajudar a superar tudo seria inscrever-me numa prova.

Mal ou bem iria correr, sei que o facto de estar na prova me iria forçar a terminar, mesmo que tivesse que andar, mesmo que criasse bolhas, que uma unha me caísse, mil e umas desgraças juntas mas eu sei que terminaria, nem que fosse por causa da logística estudada para voltar para casa.

Inscrição feita:
10 km Paris Adidas
+1h05
Equipa : Grand Paris

M.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Vida de emigrante...


Já se passou meio ano, mais do que isso até, nem sei como, de certa forma passou a correr por outro lado houve momentos que pensei que o tempo não andava.


Pensei que com o tempo fosse chamar isto de ‘casa’, até agora não aconteceu.



Há mil e um motivos para que não o seja.



A verdade é que quem nunca partiu e fala de emigração não compreende o quanto abdicamos. Muitos dirão que partiram e que foi uma tranquilidade - não julgo -ainda assim acredito que existam diversos factores para contribuir para esse ‘sucesso’. Talvez eu não tenha tido essa sorte.



A verdade é que tenho aqui o meu miúdo, que é um apoio incansável e muito meu amigo e sei que parece ingrato quando digo que não chega. Mas a verdade é que é meio agridoce, estou bem com ele e estou confortável financeiramente, há regalias aqui que não existem em Portugal, a Universidade pública aqui é gratuita tirando a inscrição que deve rondar os 200€ nem tanto, a nível de contribuição para a saúde também é relativamente melhor, os transportes são mais baratos e de melhor qualidade (ainda que já não possa com eles)... etc... etc... a verdade é que sou feliz de mini na mão sentada na praia a ver o por-do-sol com os meus, a sentir a sol tocar-me na cara, dar gargalhadas altas e felizes, ir mandar um mergulho e perder as cuecas do biquini nas ondas selvagens da minha bela praia grande.



Sabem aquelas pessoas que gozam com os emigrantes, o quando gritam pelo seu país de origem e que são os típicos ‘labregos’. Eu sei, sempre gozei com eles (ainda gozo), o certo é que me tornei quase isso. Desde decidir ir fazer uma corridinha e deparar-me com um Rancho Folclórico e perceber à distância que aquilo era do Meu país e parar para assistir, ficar lá até terminar, sem saber a que horas seria, rir das bacuradas e do português mal falado, mas ficar e sentir um aperto no coração. Todo este tumulto graças a um rancho folclórico o qual nunca dei valor e não tenho qualquer interesse (à excepção quando é a minha família).



E se vos falar do Euro Visão. Nunca assisti ao programa, normalmente apenas no dia a seguir fazia umas pesquisas para ver os melhorzitos, quem ganhou e coisas assim. Este ano foi diferente. O Euro Visão era em ‘casa’, Meu país! Conhecia todas as anfitriãs, dava-me prazer só de olhar para elas ainda que estivessem a falar em inglês, aquela energia e boa disposição portuguesa, não tem como não contagiar. E o pior veio depois, o virar uma Maria Madalena sem perceber como... heis que começam a dar os pontos e entre os vários apresentadores houve pelo menos três que eram emigrantes ou de origem portuguesa, já não me recordo dos países, neste momento só me lembro da Austrália, mas recordo-me que cada um deles fez questão de falar a nossa bela língua portuguesa e eu fiquei ali no sofá, de cara lavada em lágrimas e com um coração pequenino.



É isso, o meu coração aqui está pequenino. E dói.



M. a asmática emigrante

quinta-feira, 1 de março de 2018

Tentativas falhadas...

Ora bem... ainda sonhei, sonhei que a notícia que publiquei aqui há uns dias (a publicação anterior a esta) fosse falsa, ou exagerada...

Tentei ganhar força para correr, a semana passada por duas vezes tirei o rabo da cama às 6h da manhã e ainda consegui dar uma voltinha, já esta semana...

4ª feira (ontem)

Despertador tocou às 6h, estava com a preguiça no máximo, mas lá me mexi toda confiançuda, peguei no telemóvel e vi bem escrito -7º ! Oh meus amigos, calma com a brincadeira! Lá fiquei pela cama  mais uns quantos minutos, pensei que ao final do dia a coisa estivesse melhorzinha...
Como vida de adulto tem coisas chatas, o trabalho foi complicado ontem, pelo que nem consegui fazer pausa para almoçar, quando finalmente despachei as situações complicadas heis que o Outlook me notifica para uma reunião... conclusão : Não Almocei!
Pensei comprar um chocolate e fui com a minha moedinha, fazer um cházinho quentinho e comprar o meu devido chocolate, mas pelo caminho achei que não merecia e que não o devia comer...
Acontece que como não almocei, não lanchei, com a garganta cheia de dores e a ficar com expectoração*... jantei uma pizza e adormeci às 21h.


* Explico que o ficar adoentada obviamente se deve ao frio proporcionado pela nossa amiga Rússia, mas também ao exagero de aquecimento nos edifícios e transportes.
Uma pessoa sai de casa e sente-se na Islândia, entra no autocarro parece que está no Vale da Morte, Califórnia, calor e as pessoas a quererem matar-se umas às outras – primeiro desafio ultrapassado -, sai do autocarro faz uma pequena caminhada pela Mongólia até entrar no comboio onde faz uma breve viagem pela Etiópia, próximo do vulcão Dallol, após 1 breve paragem, com direito a uma passagem pela Gronelândia durante a passagem de um comboio para o outro, novo comboio, nova viagem até Austrália com as suas vastas florestas tropicais, que entre casacos, infinitas camisolas e echarpes, quase que se vira a boneca. Para terminar, última estação do comboio, uma marcha de 10 minutos pela Antártida e com chegada ao destino final – pelo menos durante 9 horas  - Deserto do Saara! com possibilidade de flutuações de temperatura, consoante o ‘mood’ dos meus colegas queridos.

Conclusão : Garganta inflamada, Expectoração, Falta de energia

PS – Informo que recorri ao Google para informações de Geografia vs Mais quentes vs Mais frios, que infelizmente a minha Geografia é um pouco nula devo dizer.

5ª feira (hoje)

Tendo em conta que adormeci que nem um patinho ontem, às 5h40 de hoje estava desperta e a ganhar confiança para ir correr... mas -4º. Damn it! Heis que me levanto, vou até à cozinha e sem querer olhar pela janela, graças à nossa fantástica visão periférica, vislumbrei um manto branco. O cérebro demorou a processar a informação, mas lá se dignou a olhar e lá está! Neve em todo o lado. Esqueçam.

Para continuar a minha maré de sorte, no domingo deixei as minhas botas mais quentinhas e confortáveis na varanda porque pisei cócó (merda mesmo! bolas para a minha maré de azar) e a preguiça de limpar aquela badalhoquice fez com que hoje me rogasse pragas, lá estavam elas, na varanda, com neve...


Vida : 1 - M. : 0

M.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Vaga de frio Moscou-Paris

Não sei se mereço, se calhar sim, mas dá para pararem com esta brincadeira do frio?! Ainda nem completei os 6 meses desde que mudei a minha vida (drasticamente) para vir habitar este País da cidade do Amor (agora não penso isto, mas são pormenores...) e não é que este ano se batem recordes por aqui?! Mas não são dos bons, são frios, gélidos, complicados, que atrapalham o dia a dia de uma pessoa.

Ora, amanhã aparentemente vai ser o dia mais frio em França desde sei lá eu quando... chamam-lhe o fenómeno Moscou-Paris, um frio glacial vindo ali da 'amiga' Rússia, com temperaturas aqui na minha zona a chegarem aos -10º com uma sensação térmica de -15º, brincadeiras engraçadas estas...

Estou aqui na minha 'pausa' no trabalho a ver as notícias cheia de alegria (só que não!).


Vague de froid : attention, le « Moscou-Paris » est là

«C’est un froid sibérien qui gagne la France à partir de ce dimanche et au moins jusqu’au milieu de la semaine.

On l’a senti arriver, ça y est, il est là. Le « Moscou-Paris », qui nous vient tout droit de Sibérie gagnera la France ce dimanche après-midi. Les températures battront des records hivernaux avec jusqu’à -10°C, ressenti -18°C.»



França vive onda de frio siberiano

«A França enfrenta nesta semana uma onda de frio, com temperaturas que podem atingir até dez graus negativos. A sensação térmica poderá chegar a menos 18 graus em algumas regiões. O motivo é um fenômeno conhecido como "Paris-Moscou", uma massa de ar polar que vem da Sibéria.

A frente fria chegou à França neste domingo, vinda do nordeste do continente, e se instala graças à presença de um anticiclone no norte da Europa e da baixa pressão no Mar Mediterrâneo. Esses dois fatores provocaram a aparição de um corredor de vento polar entre a Rússia e o leste europeu.
De acordo com o serviço de meteorologia francês, terça-feira será o dia mais frio no país desde 2012.»



E correr com este frio?! Na semana passada, antes de saber desta novidade fresquinha, saí às 6h15 para uma corridinha de 5km, as minhas bochechas congelaram, os meus pulmões quase que iam pelo mesmo caminho. A minha preguiça vai de mão dada com este frio, fica muito difícil fazer-me à estrada assim.



M.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Snow at Paris

(das fotos mais giras que já tirei)

Das coisas que mais gostei até agora nesta minha experiência de viver em Paris:

Neve!!!

É só lindo ver tudo ‘pintadinho’ de branquinho !

Aparentemente não é de todo normal a forma como nevou na semana passada, pelo que transportes não estão de todo preparados para o acontecimento e as pessoas também não (EU! EU! EU!).

Eu pessoalmente não estava preparada para o frio, sou muito friorenta por natureza, agora para as paisagens, sim! sim! sim!, mas não fui trabalhar na Quarta-feira. Ora, os autocarros foram todos cancelados, claro que tolinhos como somos ainda tentámos ir para a estação de comboio de carro, que obviamente não correu bem, foi sair do parque de estacionamento, virar à direita e ficar com o carro bloqueado logo após 100 metros. Foi um episódio interessante, entre congelar as mãos e tentar colocar as correntes nos pneus para ver se saíamos dali, claro que eu encantada com a paisagem não fui uma ajuda indispensável… após pouco mais de 30 minutos com o carro novamente no parque decidimos ir até à estação a pé. Como as ruas estavam cheia de neve e gelo a caminhada foi feita de forma calma, muito calma aliás, porque eu fiz questão de tirar mais um milhão de fotos, mas lá chegámos! Todos os comboios atrasados, os poucos que passavam vinham de tal forma cheios que as portas para fechar era preciso ajuda das pessoas que ficavam fora do comboio. Isto já eram 10h30, para quem saiu de casa pouco antes das 8h00 dei por encerrada a minha tentativa de ir para o trabalho e meti o dia de férias!

Não foi um dia incrível, não adiantei nada, não aproveitei nada, correr seria impensável só se fosse para partir os dentinhos. E nem vos conto o quanto me custou a reaquecer, era aquecimento da casa ligado, pijama quentinho, aquelas meias enormes, um cobertor e um édredon e eu ali feita velha no meu sofá a tentar voltar à temperatura normal.

Será escusado dizer que as notícias falaram o dia todo de neve, que se bateram recordes de engarrafamentos nas estradas com mais de 700km de engarrafamento, pessoas que dormiram nos carros, outras que abandonaram os carros ali mesmo e foram pernoitar a ginásios, pessoas que há conta de falha de transportes andaram durante 2 horas para chegar a casa (bom treino,  aposto que que este senhor não tinha frio nenhum)…

É isto, a minha felicidade em Paris, graças à Neve !

(saída do trabalho)





M.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

10 KM PARIS CENTRE - 10KM - 15.10.2017



Nem sei bem porque fiz birra por me inscrever a esta prova, para ser honesta e fútil, acho que foi pelas tshirts. O ano passado fiz a prova, correu-me mal, culpa minha com a falta de treino, o percurso foi fraquito, mas as camisolas eram da noite e porreiras, inclusive na entrega dos dorsais se tiverem paciência eles fazem estampagens, a minha do ano passado tem uma torre Eifel e o meu nome. 

Entretanto o meu miúdo também foi passar o fim de semana fora com os amigos, pelo que não tinha grandes planos para o fim de semana.

O tempo não estava mau mas não estava quente, como desta vez não tinha boleia tive que me fazer à vida e arrancar em transportes públicos à confiançuda, entenda-se, de tshirt e calções. Como não conhecia ninguém passei grande parte da espera a tirar fotos, a observar pessoas e estava um bocado adormecida, no fim de semana anterior tinha feito os 20km de Paris por isso estava mais ali por brincadeira, mas na altura que me inscrevi estava com a fezada de que ia finalmente fazer um sub60 e como tal inscrevi-me com esse tempo.

No bloco dos sub60 não estava nem no fim nem à frente, à medida que íamos avançado até à zona da partida ia ganhando uns quantos metros, conseguia visualizar os pacer/bandeirinhas, eram uns 3 se não me engano, distribuídos ao longo do início do bloco dos sub60.

Partímos!

Eu devia estar uns 50 metros atrás de uma bandeirinha, e lá me ia encaminhando sempre com ela na minha mira, de tal forma que quando me dei conta estava mesmo trás dela, pensei para mim que ela devia estar bem porque estava a correr muito devagar e decidi olhar para o meu relógio. Damn! Eu estava a correr abaixo de 6m/km, afinal era eu. Pensei em abrandar com medo de quebrar, depois pensei em aguentar-se atrás dela e se rebentasse, olha... não perdia nada.

Fui-me aguentando bem, desta vez sempre no controlo do relógio 5:47, 5:50, 5:49 etc... quando dei conta tinha ultrapassado a minha bandeirinha e estava quase a aproximar-me do outro bandeirinha dos sub60, já com um bocadinho de mais pedalada, mas ali perto do quilómetro 7 comecei a sentir as pernas a darem-me o toque que não estavam habituadas aquele ritmo. Azar dos azares uma pequena inclinação, mas eu aguentei-a, sempre a 2/3 metros do meu novo bandeirinha, e heis que comecei a fraquejar, já em plano, comecei a passar a estar a 5/7 metros do meu novo bandeirinha e quando dei conta a minha antiga bandeirinha estava a passar-me... controlei o relógio e realmente estava a diminuir velocidade, bati nos 6min e tal por quilómetro, ia fazendo um esforço para recuperar e andei numa fase em que batia nos 6min e quando dava conta acelerava para voltar aos 5min e pouco, mas já não consegui manter-me lá...

Vi a meta. 
Despacha-te M. Vá lá.
Cortei a meta ...



Por 14 segundos. Quando vi nem quis acreditar. Por uns estúpidos 14 segundos que não fui sub60... eram 14 segundos em que me devia ter aguentado nos 5m/km, eram segundos suportáveis. E não o foram. Estava de certa forma contente porque foi o meu melhor tempo, por outro lado, eram 14 segundos que parecem tão insignificantes agora... 




Querem saber o pior?!... No tempo oficial da prova foi por 1 segundo !




M.



sábado, 13 de janeiro de 2018

20KM DE PARIS - 20KM - 08.10.2017



Fui sem expectativas exactamente porque depois de tanta corrida não queria sentir pressão... não levei mochila e não olhei para o tempo uma única vez, houve muitas alturas que quase, quase vacilei, mas controlei-me e apenas tive noção do meu tempo após terminar a prova.

Acordei por volta das 5h e pouco da manhã com uma mensagem do meu pai a dizer que tinha terminado os 100km na Serra da Estrela, a partir daí já não dormi mais, de certa forma estava mais descansada, não sabia nada do pai fazia tempo, a última vez que falámos disse-me que iria desistir, deixou-me por escrito no facebook, obviamente que amigos dele foram lá meter "veneno" amigo, e teimoso como é e do contra, decidiu continuar e acabar o raio dos 100km. 

Já eu estava com a neura, como sempre, pelo que não dormi mais, sentia-me cansada, ansiosa, nervosa, todo um misto de coisas que não me fazem nada bem. O meu primeiro pensamento é sempre, comer cedo e casa de banho... nunca acontece, o que me deixa super desesperada.

Como estou a escrever com um atraso considerável, muitos pormenores já se perderam, o que para vocês é uma sorte porque diminui bastante o texto a ler. 

Lá me encaminhei para o centro de Paris, para mais um arraso às pernas, desta vez ia leve, infelizmente aqui ando sempre de telemóvel atrás porque não conheço a cidade como a minha e deixa-me mais segura, aguardava a partida, comecei a ter vontade de ir à casa de banho, procurei e procurei e quando encontrei ignorei por completo a minha vontade, tal era a quantidade de pessoas À espera. Para tornar a prova mais interessante, começou a chover, se eu já estava a morrer de frio nem vale a pena dizer como me senti depois de corpinho molhado.

Parou de chover, pouco tempo depois partimos, tentei não pensar em casas de banho e em tempos, tentei ir tranquila, absorver a prova e desfrutar, não ver distâncias, mas normalmente as provas têm sempre aqueles belos placares (que eu detesto) de 1 em 1 quilómetro, pelo que a minha ideia era ir mais coisa menos coisa ao centro e não olhar muito para as laterais, tentando ao máximo evitar qualquer comunicação face aos quilómetros.

Descobri uma linha verde ao centro, uma marcação que automaticamente passou a ser a minha guia, não sei porque, fiquei durante bastantes quilómetros a correr sobre essa linha verde amarelada, por vezes, inconscientemente olhava para as laterais, acabei por descobrir que ao longo da prova existiam certas exposições de arte urbana, muitas pessoas paravam para tirar fotos, pensei fazê-lo, mas corria sozinha, pelo que qualquer tentativa de foto ia ser um fiasco e assim evitava também quebrar o meu ritmo, mantive-me firme na minha linha verde, tendo por vezes de abandonar por alguém estar a fazer o mesmo que eu, consciente ou inconscientemente, lá ultrapassava e seguia... pior, essa marcação obviamente foi feita para a prova, pelo que ... Pimba! Lá levei com a distância mesmo juntinho aos meus pés, escrita com aquele verde amarelado, lima, eu que evitei tanto olhar para as laterais de forma a evitar ver as distâncias escritas, heis que a minha linha, o meu foco, a minha concentração mostrou-me num tom escandaloso em que zona do percurso me encontrava. 

Lembro-me dos 9km e dos 14km, lembro-me que pouco escutei do exterior, levei música e ia concentrada nas minhas coisas, na minha linha verde, não sei porque levantei a cabeça, olhei em redor, não é que o meu miúdo estava ali mesmo à minha beira, a dar-me suporte e acompanhou-me quase 2km na sua trotinete (estes franceses e as trotinetes...), isto por volta do quilómetro 9, já o 14 ficou registado porque senti um momento de fatiga tão grande que naquele momento só em apetecia mandar para o chão, mas vou falando com o meu eu interior e dizendo, só mais 1 horinha e está tudo feito.

Terminei. Vi o tempo. UAU!!! Não fui para bater recordes, não fui com nada mentalizado, mas foi o meu melhor tempo. Apesar de depois de parar de correr as minhas pernas estarem completamente arrebentadas, sentia-me a pular, alegria, felicidade e uma trotinete para ajudar a chegar ao metro mais próximo.







M.



terça-feira, 3 de outubro de 2017

das coisas que detesto em França

Passadeiras.
Hoje o tema é este.

Odeio as passadeiras em França!

Consigo respeitar o sinal vermelho, mesmo quando estou a correr, mesmo que me deixe fula ficar aqueles segundos, minutos (que parecem infinitos) ali do meu lado, esperando o sinal abrir para me começar a mexer... 

mas...

Conhecem as passadeiras sem sinal?! Que os pais nos ensinam desde pequenos a olhar para a esquerda e para a direita, ver se há carros, se param e finalmente passar?!

Aqui ter ou não ter passadeira é irrelevante. Podes olhar quantas vezes quiseres, podes ganhar as raízes que quiseres, não há uma única viatura que pare para te deixar passar, por isso ou passas quando efectivamente não existirem carros na rua (tipo às 3h da manhã e mesmo assim...) ou tentas a tua sorte te mandas e logo vês se sobrevives, podes ainda levar uma buzinadela caso não morras, ou uns olhares raivosos.

Sim, odeio muito as passadeiras em França, porque em Portugal paramos sempre e quando não acontece porque estamos mais distraídos há sempre um sinal gestual do condutor em jeito de "Desculpeee...".

Pois... saudades...

M.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Resumo da Semana #8 e #9

Vão levar tudo de empreitada sobre os meus treinos/provas porque tem sido difícil ter tempo (ou paciência) para fazer tudo, entre mil corridas e mais a brincadeira de arranjar apartamento (finalmente já posso riscar isto da checklist) e comprar tudo o que são electrodomésticos e mobília para a casa (só vejo e sinto o dinheiro a sair...).

Passando à parte dos treinos...

Semana de 18 a 24 de Setembro de 2017:

Esta semana foi neurótica, com o receio de não ser capaz de levar avante o Challenge 31K da Disney, tanto que fiz uma mini corrida no início da semana e fiquei com uma dor numa das pernas que me deixou logo ansiosa...


19-09-2017 (3ª feira):
Treino pequenino por minha culpa, meio preguiça, meio modo bela adormecida e depois quando finalmente ganhei forças para ir correr tinha que o fazer depressa senão ia chegar atrasada ao trabalho.








21-09-2017 (5ªfeira):
Ainda não tinha feito nada de especial esta semana a nível de corrida, depois começo logo a pensar que o meu corpo se vai esquecer de como se corre e que as pernas vão fraquejar, que vou fazer um quilómetro e tombar para o lado como se me desse uma paralesia geral. Fui correr, pensei em 10km inicialmente, mas parecia que estava com falta de ar o tempo todo que fui correr, no sentido figurativo, não era a falta de ar habitual derivada da minha asma, mas uma falta de ar interna, um sufoco, cada passada que dava sentia a Meia Maratona a ir com os porcos, achei que devia ficar por ali, pelos meus 7,5km até porque a minha perna continuava a incomodar-me.






23-09-2017 (Sábado):
Foi mágico!
Podem ler o relato aqui:

24-09-2017 (Domingo):
Foi igualmente mágico mas um sofrimento -do caraças- que valeu a pena.
Podem ler o relato aqui:

 
(este foi o Challenge da Disney)

(isto é a minha felicidade Disney)

Semana de 25 de Setembro a 1 de Outubro de 2017: 

Vacilei muito... Quis muito descansar, de tal forma que me inscrevi para uma prova já no dia 8 de Outubro, sou incrível... só que não. O início da semana foi com muitas dores, no Domingo doiam-me as articulações, passei muito mal a noite, mexi-me a noite quase toda e tive grandes dificuldades em adormecer, 2ª Feira as articulações estavam Ok mas os músculos estavam doridos, tudo o que eram escavas e rampas a descer obrigavam-me a soltar um estilho de grunhidos esquizitos e umas quantas palavras menos simpáticas, mas lá me mexi, de tal forma que entre 2ªfeira e 3ªfeira andei um modo Bricolage a pintar os móveis da cozinha do meu (MEU) apartamento. 4ªfeira iria correr, tinha mais do que tempo, tinha dado como terminado o trabalho de pintura, mas estava tão mole, tirei o dia para mim, entre ver filmes e tratar de mim (sou mulher ... lá andei de volta das minhas unhas e super orgulhosa do meu trabalho) fiz muita ronha e não corri, mas comi! Demais parece-me... Deixaria a corrida para 5ª feira, só que não, achei que era um dia incrível para ir almoçar com o meu miúdo e ir dar uma volta na zona de comercial de Chatelet porque queria muito um casaco preto, porque tenho muito frio, queria um casaco bem quente... no can do!



2017-09-29 (6ªfeira):
Pensei ir a milhões de sitíos, depois deu-me a preguiça, pensei ir almoçar com o miúdo, depois deu-me a preguiça, pensei em muita coisa deu-me preguiça para tudo. Concluo que ando extremamente preguiçosa, acho que é os ares daqui... Fui correr, com expectativa de pelo menos uns 8km.
Muito duro, uma perna pedia licença à outra para se levantar, uma assentava no chão e parecia que se enterrava de tal forma que eu precisava da ajuda de uma grua para a voltar a levantar, assim me fui arrastando até fazer 10km, acho que 10km como treino me faz sempre sentir feliz. O ritmo foi uma treta e fez-me questionar como raio tinha eu feito o tempo que fiz na Meia Maratona da Disney... bom, ignorei, e fui tomar um duche para me aquecer, almocei uma saladinha incrível e dei-me ao luxo de comer uma bolacha com chocolate à sobremesa e mandei-me para o sofá que nem um animal fatigado. Não dormi para grande surpresa minha, como tinha um jantar nesse dia lá me permiti mexer para ir às compras, jolas e uma sobremesa caseira são sempre bem-vindas.






 2017-09-30 (Sábado):
O meu miúdo foi jogar à bola, íamos passar o fim de semana sei lá eu onde para um aniversário de família mas que era tipo a quase 300km de casa pelo que iríamos dormir por lá e não ía ter hipóteses de correr. Correr 2 vezes por semana é mau, correr apenas 1 é terrível, péssimo e impensável, pelo que mesmo tendo corrido na 6ª feira em modo lesma com paralesias achei que era preferível fazer algo semelhante a não fazer de todo.
Queria fazer 10km, o número 10 faz-me sentir bem disposta já tinha referido, mas quando saímos com uma ideia normalmente não se concretiza, ou vai para cima ou para baixo... Decidi fazer um percurso que não me obrigasse a passar a vida a controlar o Strava para ver como voltar para casa, seguiria pela rua principal sempre em linha recta, faria 5km e voltava para trás.
Encontrei calçada no meu trajecto, fiquei feliz, ainda para mais nessa manhã tinha acordado com um sentimento de saudades imenso, saudades que não cabem no peito e ver calçada como se estivesse na minha terra deu para aquecer o coração.
Continuei o meu trajecto e sentia-me bem, as pernas não estavam tão enferrujadas como no dia anterior o que por si só já me transmitia um bom feeling, mas heis que vejo uma grande descida, não conhecia bem aquela zona, não fazia ideia daquela descida, e como sempre digo “tudo o que desce ... sobe”, pensei em cortar à direita, mas assim a minha ideia de parar de controlar por Strava por onde andava ia por água abaixo, talvez já tivesse os 5km ou quase e assim era só voltar para trás. 2,7km. – O QUÊ?só 2,7km? não era nada, não tinha grande remédio, esquece, ignora, desce, para cá vais ser forte e subir tudo em grande estilo. Assim foi, até decidir voltar para trás, com os contratempos das passadeiras que são muito irritantes nesta terra. Quando me aproximei da subida, limitei-me a fazê-la, sem pensar muito nela, sem vê-la como uma inimiga, sem vê-la como algo que me iria derrotar. Assim foi, subi e subi e só parei quase a 300m do fim porque apanhei sinal vermelho para peões e heis que aqui um velhote que estava comigo na passadeira começa a correr, não entendi, depois percebi que estava a imitar-me e correu tipo 50m comigo e depois lá me mandou seguir. Ai estas personagens que encontramos que nos fazem sorrir.
Chutei 12km com esta brincadeira, fiquei feliz ainda que só com 2 treinos nesta semana.







M.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

SEMI MARATHON DISNEYLAND PARIS - 21,1KM - 24.09.2017


INTRO
Houve pequenas coisas que não gostei, mas é como tudo... e em provas deste género é mais que sabido que existe toda uma multidão pelo que há tendência a que existam momentos menos bom. A nível do staff, só tenho um apontamento, no dia que fui levantar o dorsal, inicialmente achei que estava tudo top, separado, bem organizado, dorsal ok, agora as tshirts. Lá me encaminhei para a minha secção, Challenge Women, cheguei toda sorridente a dizer 'Bonsoir' e vem uma mulher de idade, nem ai nem ui, saca-me o dorsal e dá-me uma tshirt de 10km e baza. Ceguei logo.  Lá a chamei e disse que não estava a perceber porque supostamente ia fazer o challenge e pelo menos 2 tshirts tinha que receber ou no mínimo dar-me a da Meia Maratona. Olhou para mim, borrifou-se para mim e deu uma palmadinha ao colega de trás. Lá veio um senhor ter comigo e a dizer que só tinha M de tshirt, lá ignorei o que ele disse porque não fazia qualquer sentido e repeti o que disse à senhora, ele lá olhou para o meu dorsal e bazou. Estava em modo de fúria extrema e só o via a mexer em mil tshirts, mas heis que voltou, pegou na dos 10km meteu para o lado, eu já nem conseguia falar, e lá me põe mais duas tshirts - okkk - 21,1km e Challenge. Ahhhhh! E eu aí lá sorri e disse que era precisamente isso. E ele começa: "Uma, duas, três. 3 tshirts!" ahhhhh! Portanto a dos 10km também era mesmo para mim, conforme me fazia sentido, era como as medalhas. Foi assim das coisas que correram mais mal, mas lá fui salva por aquele senhor. Mas assisti a mais, primeiro só havia tamanhos M, por mim tudo tranquilo porque era precisamente o meu tamanho, mas houve imensas pessoas que basicamente ficaram sem tshirts, são M de mulher, pequenos e estreitos... quanto aos homens... esses não tinham de todo tshirts e deixaram ficar por escrito um novo pedido de tshirts, a única coisa que ouvi do staff foi "Foram os americanos que fizeram a encomenda", resposta muito insignificante a meu ver, primeiro a organização é um todo, podiam ter avisado quando receberam a mercadoria, tendo em conta o preço da corrida acho que foi o mais absurdo que vi/ouvi até hoje. Ainda houve outra situação que me deixou chocada, heis que um americano vai pedir a tshirt e eles tentam explicar que não há, claro que falar inglês está quieto, então vêem outro participante e dizem-lhe "Explica-lhe" ao que este responde "Isso não é o meu trabalho" e vos garanto que ele não estava a ser arrogante, foi pela forma como tudo se foi desenrolando. Saí de lá um bocado desesperada, mas o que vale é que saindo da arena vamos dar à Vila da Disney e o movimento, animação e vida da Vila dá logo um refresh ao coração. 

Dia da Meia Maratona:
Custou-me imenso a adormecer, não sei quantas voltas dei, quantas coisas pensei e heis que às 3h40 acordo, voltei a deitar-me mas já não preguei olho, acabei por me levantar de vez às 4h50.
Decidi ir tomar o pequeno almoço antes de tudo, na expectativa de ir à casa de banho, mas não fui bem sucedida. 5h45 lá arranquei com destino à DisneyLand, cheguei por volta das 6h30 ainda tinha que fazer uma boa parte a pé mas era da forma que aquecia, fiz antes de mais uma paragem na cada de banho mal cheguei para não ficar com a neura do xixi também, lá me encaminhei para a zona da partida, de onde só parti às 7h19.
Ia mais concentrada, mais nervosa também, após o 1º km fiquei com uma incrível vontade de ir fazer xixi - A sério??! - até ao 4º km não conseguia pensar noutra coisa, entretanto obriguei-me a ir pensando noutras coisas o que ao fim de um tempo acabou por resultar, o início do percurso era idêntico aos 10km, as personagens que fomos vendo é que eram diferentes, mas desta vez não quis parar para tirar fotos, tinha imenso medo de quebrar. Sendo sincera há uma coisa que me stressa imenso nas provas, que é ter os quilómetros todos marcados, sei que há quem goste, eu detesto, o meu cérebro vê tudo de forma negativa, 1km significa que Vou morrer porque falta toda a prova, 5km Vou parar só tenho tipo 25% da prova feita e já me sinto cansada, 8km A sério que os quilómetros não avançam, 10km Oh senhores ainda falta metade, vou certamente parar, 15km Por favor alguém me leve até à meta, faltam 25% ... 😣 É mais ao menos isto. 21km dá para a cabeça trabalhar imenso, pensei no meu novo apartamento, na decoração, como ia fazer o quê, pensei onde podia correr perto do meu novo apartamento, depois tinha momentos de lucidez em que morria quando via onde estava e quanto faltava.
Ali por volta do 6km vi umas personagens que desculpem mas tive que parar 2 segundos para tirar foto, eram do Star Wars e eu sou nerd de Star Wars 😂
Houve abastecimento de água de 2 em 2 km, eu levei a minha mochila, agora inseparável (nunca pensei), pelo que me desviava da multidão e seguia o meu caminho, o staff do parque foi incrível, porque mesmo tendo sido obrigados a estar no parque às 7h da manhã foram o nosso suporte durante a corrida quando era dentro do parque, gritavam, tinham placares, davam-nos mais 5 com as suas luvas de Mickey e sabia bem, para mim principalmente que fazia a prova sozinha.
Entretanto por volta do km 7 começamos a sair do parque Disney, estrada mais longa, menos cheia, menos animação, entretanto reparei que descíamos perto do km 9 e tudo o que desce... sobe. Bolas! Só que eu pensei que era uma coisa que acontecia num curto espaço de tempo, só que não, ainda deve ter feito uns 5 km até voltar a passar naquela zona. Passámos por um parque, estavam lá crianças a gritar por nós e a dar-nos mais 5 e parece que ficam super felizes quando lhes tocamos, acho tão giro, são crianças e naquela altura achas que as pessoas que estão ali são importantes e se alguém te tocar ficas 1 mês a dizer que estiveste ali e te deram mais 5 e por esse motivo sempre que via uma mãozinha fazia um esforço para ir lá dar mais 5. Nesta altura devia estar com 12km, mais coisa menos coisa, as pernas estavam cansadas mas o pior não era isso, era a dor que tinha no meu pé, não sei o que se passou, mas o meu pé esquerdo doía-me imenso na planta do pé perto dos dedos, era uma dor estranha e que começou a tornar-se insuportável. 😞
Continuei a aguentar-me, as pernas estavam cansadas mas de respiração estava bem, tinha comido uma marmelada aos 8km e previ comer outra por volta do 16km, ia bebendo água sem exageros senão fico com dor de burro, decidi verificar o tempo que estava a fazer só por acaso, por decidi não fazê-lo durante a prova para não me stressar com tempos, ritmos e tentar desfrutar, não é que vejo ritmo de 6:08m/km fiquei parva, tirei logo o relógio da minha vista e concentrei-me, só tenho que continuar como estou, não penses nisso (na Meia Maratona da Ponte em Março os primeiros 10km também estava super bem e depois comecei a quebrar e a ver no relógio a velocidade e diminuir deixou-me super neurótica e não queria que isso acontecesse novamente). Estava a chegar ao local onde tinha percebido que iam haver subidas, mas nesta altura já tinha feito uns quantos altos e baixos pelo que tentei não me fixar nas subidas e só continuar o meu percurso, passámos uma zona de controlo de chips (havia de 5 em 5 km) e de seguida havia abastecimento com comida, saquei duas barritas que guardei para o final (e souberam mesmo bem!) mais uma mini mini mini subida, mas senti-a imenso, o meu pé não me estava a dar descanso e estava a começar a ser implacável, estava quase a fazer 16km e depois dessa mini subida pensei Vou parar... Vou parar... e nisto olho para a frente e tinha um sorriso de orelha a orelha virado para mim, o meu miúdo tinha-me encontrado, claro que não podia parar ali à frente dele, depois de correr 16km sem parar agora que ele estava a ver-me não podia desistir, perguntou-me se queria beber e limitei-me a abanar a cabeça sem forças para grandes conversa e dar-lhe um beijinho, seguiu-me tirou-me umas fotos e vi-o a correr por um atalho, foi assim ao longo de 2km, lá ia aparecendo ao meu lado onde conseguia e a grande parte de fotos que tenho são graças a ele.
18km e com o pé a dar cabo de mim, mas agora que estava tão perto de chegar, não podia desistir, não podia quebrar, o próprio ambiente mostrava que estávamos em recta final, nesta altura os arredores do parque já estavam cheios, milhões de pessoas que chegavam para vir à Disney, não vi a placa dos 19km mas logo, logo vi a dos 20km e mais um controlo de chip, só faltava 1km, vamos, vamos, força nas pernas, ignora o pé e faz este último esforço!
CHEGUEI! Cheguei bolas! E mal desliguei o relógio dei-me conta que tinha sido o meu melhor tempo de Meia Maratona, mas também foi a com condições climatéricas mais vantajosas, as 2 primeiras fiz debaixo de chuva intensa e a 3ª debaixo de mega sol com 30 e tal graus que até fiquei com a marca do meu top até junho quando comecei a fazer praia.
Bebi a garrafa de água toda que me deram, mesmo sendo água que não gosto (desculpem, mas em Paris a água é diferente, pensei eu noutros tempos que a água não tinha sabor e era igual em todo o mundo), recebi a minha enorme medalha e um estilo corta vento, guardei 2 PowerRade para beber depois, ia sair quando vejo uma zona com mais medalhas e lá me lembrei que se completasse os 10km e os 21,1km tinha direito a uma medalha extra do Challenge e lá fui eu receber a minha enorme medalha de "ouro", os 10km eram bronze, os 21km eram prata e os 31km eram Ouro, adorei o pormenor. Fui buscar o meu kit fim de prova com comidinha e segui para o novo desafio de tentar sair do parque quando todas as pessoas queriam entrar, foi duro, muito duro de sair dali, os meus joelhos estavam acabados, as minhas pernas gelatinosas e aquelas pessoas não davam nem um espacinho, mas lá consegui e me dirigi finalmente para o carro, com os meu 31km finalizados do fim de semana.

Muita felicidade aqui no meu peito.

Agora um resumo da minha prova por fotos:


 


(6h e tal da manhã a dirigir-me para a partida)
(video da partida)
  (staff incrível)
 (Donald, foto tirada em movimento lamento a qualidade)
 (a ver o Sol nascer)
 (olh'ós gajos! +/- 6,5km)
(isto é que é madrugar)
(parque onde estavam as crianças +/- 13km)
 (a voltar ao parque Disney, onde o meu miúdo me encontrou, perto do 16km)
 (já estava mais para lá do que para cá)
 (perto do 18km)
(estava tentar concentrar-me a respirar bem +/- 18km)
(ainda a sorrir quando podia)
(eu com as minhas medalhas toda contente)

M.