sexta-feira, 15 de junho de 2018

Vida de emigrante...


Já se passou meio ano, mais do que isso até, nem sei como, de certa forma passou a correr por outro lado houve momentos que pensei que o tempo não andava.


Pensei que com o tempo fosse chamar isto de ‘casa’, até agora não aconteceu.



Há mil e um motivos para que não o seja.



A verdade é que quem nunca partiu e fala de emigração não compreende o quanto abdicamos. Muitos dirão que partiram e que foi uma tranquilidade - não julgo -ainda assim acredito que existam diversos factores para contribuir para esse ‘sucesso’. Talvez eu não tenha tido essa sorte.



A verdade é que tenho aqui o meu miúdo, que é um apoio incansável e muito meu amigo e sei que parece ingrato quando digo que não chega. Mas a verdade é que é meio agridoce, estou bem com ele e estou confortável financeiramente, há regalias aqui que não existem em Portugal, a Universidade pública aqui é gratuita tirando a inscrição que deve rondar os 200€ nem tanto, a nível de contribuição para a saúde também é relativamente melhor, os transportes são mais baratos e de melhor qualidade (ainda que já não possa com eles)... etc... etc... a verdade é que sou feliz de mini na mão sentada na praia a ver o por-do-sol com os meus, a sentir a sol tocar-me na cara, dar gargalhadas altas e felizes, ir mandar um mergulho e perder as cuecas do biquini nas ondas selvagens da minha bela praia grande.



Sabem aquelas pessoas que gozam com os emigrantes, o quando gritam pelo seu país de origem e que são os típicos ‘labregos’. Eu sei, sempre gozei com eles (ainda gozo), o certo é que me tornei quase isso. Desde decidir ir fazer uma corridinha e deparar-me com um Rancho Folclórico e perceber à distância que aquilo era do Meu país e parar para assistir, ficar lá até terminar, sem saber a que horas seria, rir das bacuradas e do português mal falado, mas ficar e sentir um aperto no coração. Todo este tumulto graças a um rancho folclórico o qual nunca dei valor e não tenho qualquer interesse (à excepção quando é a minha família).



E se vos falar do Euro Visão. Nunca assisti ao programa, normalmente apenas no dia a seguir fazia umas pesquisas para ver os melhorzitos, quem ganhou e coisas assim. Este ano foi diferente. O Euro Visão era em ‘casa’, Meu país! Conhecia todas as anfitriãs, dava-me prazer só de olhar para elas ainda que estivessem a falar em inglês, aquela energia e boa disposição portuguesa, não tem como não contagiar. E o pior veio depois, o virar uma Maria Madalena sem perceber como... heis que começam a dar os pontos e entre os vários apresentadores houve pelo menos três que eram emigrantes ou de origem portuguesa, já não me recordo dos países, neste momento só me lembro da Austrália, mas recordo-me que cada um deles fez questão de falar a nossa bela língua portuguesa e eu fiquei ali no sofá, de cara lavada em lágrimas e com um coração pequenino.



É isso, o meu coração aqui está pequenino. E dói.



M. a asmática emigrante

6 comentários:

  1. Um beijinho nesse coração pequenino. O resto, já sabes!

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  2. Sentimentos que apenas se sentem quando não temos o que dávamos por adquirido.

    Grande beijinho

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  3. O teu país também sente a falta do teu enorme coração! E de perderes as cuecas do bikini na Praia Grande! :D

    Beijinhos

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    1. Certamente que as minhas cuecas do biquíni eram o mais importante desta publicação ahaha

      Beijinho grande Fabiana ^^

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