quarta-feira, 9 de agosto de 2017

10KM L'ÉQUIPE - 10KM - 11.06.2017



Uma corridinha oficial no último dia de férias antes de arrancar para Portugal!

Why not?!

Já vinha cansada, já vinha dorida, a minha perna direita acusava uma lesão mas eu casmurra, parva e tudo mais,queria fazer a corrida porque sim, fiz.

Aiiii Paris... Tu sabes que vou para aí e ainda brincas comigo.
2 meses a viver em Paris e um frio de rachar, ok, era pleno Inverno, mas já fui lá por outras diversas situações e foi sempre assim frio, cinzento, no máximo ameno.

Calor! Calor! Muito calor! Que brincadeira.

Multidão. Muita gente mesmo, nunca pensei. Depois calor, pessoas, mais calor ainda, estava a começar a ficar impaciente, ainda por cima estava com a neura da perna, depois o calor, a minha cabeça já não parava.

Muito atraso, sendo que me coloco sempre nos que partem +60, até darem partida ao meu grupo demora horas, se não me engano partimos perto das 11 horas, debaixo de sol (neura!).

Partida!

Lá fui eu. Ao meu ritmo, com a cabeça a mil, com telemóvel a contar (de férias não tinha como actualizar o relógio e a aplicação no telemóvel desde que foi actualizada é manhosa e nem sempre me actualiza o relógio pelo que por via das dúvidas fui logo de telemóvel).

Sentia-me pesada, a dor da perna veio logo, nem foi preciso correr muito, foi certinha. Comecei a sentir-me pesada, cheia de calor, com a cabeça focada na dor, sentia-me pesada e a correr devagar, estava a ficar chateada comigo mesma, estava a ficar desmotivada, estava a ficar estoirada... estava a ficar tudo bolas!

Não olhei quase para o caminho, pouco me lembro, lembro-me da Place de Madeleine e que pouco antes disso ouvi música brasileira, queria sorrir, bater palmas, festejar, mas sentia-me tão pesada que deixei-me ir na minha, com medo que qualquer movimento que não fizesse parte de corrida me deixasse KO, então foquei em correr, não fazer mais nada, tirando nos abastecimentos tirar uma garrafa de água e eu odeio correr com coisas na mão, mas nesta corrida andei com uma garrafinha sempre, dando golinhos pequeninos ao longo do percurso, hidratando os lábios que é algo que me deixa enervada, a secura na boca/lábios. Lembro-me de passar o Jardin des Tuileries, mas apenas quando já estávamos a voltar para trás e recordo-me também que o fim foi sempre junto ao rio Sena, e era eu, a minha garrafinha e o T., que andava lá tranquilo e fresquinho da vida, raça do miúdo e da sua resistência.

Houve sempre imensas pessoas a assistir, na zona final então era absurdo, muitas pessoas na rua mesmo, mas eu estava sem energias para analisar a prova e espaço assim com tanta atenção.

Lá comecei a sair de perto do rio, uma mini subida, tipo 2 metros mas pareceu-me a Serra da Estrela naquela altura, a minha perna doía tanto, cada vez me sentia mais a arrastar... mas cheguei, era já ali o final.

Meta. Finalmente.

Engraçado, média de 6:13m/km, foram só os meus melhores 10 km, ainda bem que me sentia pesada e que a minha perna estava toda amassada. Menos mal, deu para ganhar uma motivação extra e sentir-me feliz !






Curiosidade... Heis que na meta me cruzo com a minha futura manager. Mundo pequeno. E uma M. envergonhada.

M.


terça-feira, 8 de agosto de 2017

o meu pai é louco...

O meu pai é louco. LOUCO!

Ahhh...

E vento! Muito vento.

Pronto, era isto.

M.

CORRER LÁ FORA - SARDENHA (ITÁLIA)



A minha única semana de férias deste ano !!

O que eu planeei para as férias? Correr todos os dias!

Sei que há quem diga que não é muito saudável e que o corpo tem de descansar, mas eu estava de férias apenas uma semana, a única altura em que não tinha horários para nada, porque não havia eu de aproveitar?!

Dito e feito, pela primeira vez na minha vida, todos os dias das minhas férias eu fiz uma corridinha, por mais curta que fosse, mas todos os dias estiquei as pernas. Ainda bem, tendo em conta que fui de férias, também significou comer muito, coisas gordas e gostosas, pizzas e foccacias, afinal de contas estava em Itália.

Sábado (03-06-2017)  – Em Paris, onde ia apanhar posteriormente voo para Cagliari, Sardenha, Itália. O T. foi jogar ténis e eu por muito que adore vê-lo jogar aproveitei para ir fazer uma corridinha e juntar à minha conta 10 km e mesmo assim ainda o consegui ver ganhar, depois de um jogo dificílimo.


Domingo (04-06-2017) – Chegámos a Sardenha na noite anterior, estava doida para fazer um treininho por aqui, ter uma corridinha noutro país, ver a distância do circuito do nosso hotel. O T. foi jogar à bola e eu aproveitei-me da situação.


2ª Feira (05-06-2017) – Tínhamos uma corrida no Domingo e o T. não corria desde Março então lá lhe dei a dica para vir comigo, mas ele e a corrida não são apaixonados, logo ele não entende as minhas decisões quanto à corrida e fomos fazer uma corrida em versão amuados, mas ao menos fomos…
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3ª Feira (06-06-2017)  – Fomos tentar jogar ténis, claro que eu sou uma naba, mas sempre me mexi um pouco e ainda acertei nas bolas, o que por si só já não é mau. Como já estava equipada aproveitei para dar uma voltinha.


4ª Feira (07-06-2017)  – Estava muito calor, mas tendo em conta tudo o que andava a enfardar tinha mesmo que me mexer, senão ia voltar de Sardenha a ocupar o meu lugar e o do T. no avião.

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5ª Feira (08-06-2017)  – Não devia ir correr, na 4ª feira tinha-me começado a doer a perna direita, por baixo do gémeo, doía-me imenso. Não sei se a dor veio de andar a correr todos os dias e o corpo não estar habituado, se seriam os ténis que estavam mais apertados que o normal… mas depois só pensava que queria correr todos os dias, mesmo que fossem só 3 km e bem lentinhos e não ignorando o facto de andar a comer que nem um porco… oops… Para mudar os ares, decidi que iria dar a volta ao lago ao lado do Hotel.



6ª Feira (09-06-2017)  – 7h da manhã e eu não conseguia dormir e era basicamente o nosso último dia a sério em Sardenha, pelo que ir correr pela manhã não ia estragar nenhum plano para o dia, ficava logo o assunto arrumado. Ganhei forças, equipei-me, já fazia imenso calor, hoje iria sair daquela zona do Hotel. Acabei por ir para Sul, o mais que me foi possível e foi incrível!
  


Sábado (10-06-2017) – Hoje apanhava voo de volta para Paris, em jeito de despedida às 8h da manhã dei uma voltinha pequenina de despedida a Sardenha, até porque a minha perna ainda me doía e Domingo era dia de prova.


Domingo (11-06-2017) – De volta a Paris, último dia de férias e com avião para Lisboa! Comecei as férias com 10km e terminei-as da mesma forma, com mais 10km. Continuava com dores na perna, achei que estava a fazer um tempo péssimo, mas por incrível que parece foi um dos meus melhores tempos nos 10km.



Mas esta corrida fica para uma outra publicação!

M.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Resumo da Semana #1

Decidi criar uma nova rubrica aqui, de forma a pensar sobre o que fiz (ou não fiz) durante a semana.

Tenho a vaga ideia que depois de publicar o post vou ausentar-se a chorar pelos meus fracos dotes na corrida. Bom, sempre ouvi dizer que fazia bem chorar.

#1 - 31 de Julho a 6 de Agosto

Corri 2 vezes... apenas 2 vezes! Tenho tido uma preguiça enorme e uma falta de força de vontade ainda maior, pelo que que fui 2 vezes meio a arrastar-me e a sentir-me um barril com pernas bambas.

5ª feira 

Arranjei coragem e levantei-me às 5 horas da manhã, demorei 20 minutos até conseguir estar lá fora para correr, foram 20 minutos de luta comigo mesma "quero dormir" "quero correr" "preciso de descansar" "preciso de correr, gorda"

Sintra. Como sempre, nada plano. O que me vale é que se optar por ir para a Vila a volta é a descer.

Fiquei desiludida, já fiz este percurso mais vezes e com um tempo melhor, mas sentia-me cansada e inclusive com pequenas crises de asma, que já não acontecia faz tempo. Fiz a subida toda sempre meio ofegante e com as pernas cansadas, o caminho todo pensei "vou parar... vou parar...", não parei mas correr o tempo todo assim é muito irritante, pelo menos fiz qualquer coisa, ainda que devagarinho.







Sábado

Arranquei para Vale Manso, para ir ter com as minhas miúdas e fazermos um fim de semana todas juntas antes de eu emigrar e se começar a tornar ainda mais difícil esta reunião.

Tenho muito mal dormir, pelo que, mesmo tirando o alarme do telemóvel conforme elas me pediram, às 8h já estava eu de pé. Larguei o quarto e fui curtir um pouco da vista incrível da casa e posteriormente fui conhecer o local à minha maneira, um pouquinho a correr, um pouquinho a andar. Infelizmente estávamos em condomínio e eu não tinha a chave do portão e tive que me contentar por andar ali às voltas dentro do condomínio.

Mais uma desilusão para a semana, nada plano, ou seja, descia imenso e depois subia imenso... subidas quase todas a andar e pronto as descidas todas a correr. Odeio esta coisa de eu e as subidas não nos entendermos... não dá.








Espero que esta semana e as próximas a coisa (que se chama corrida) melhore.

M.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

TRILHO DAS LAMPAS - 20KM - 13.05.2017


Nervos! Nervos! Nervos!

Vai-se lá saber porquê, mas queria imenso fazer este trilho, não sei se por ser tão pertinho de casa, se por todos os anos ouvir o pai a falar dele (a prova que faz desde a 1ª edição), mas a cabeça dizia que sim e assim foi, de coração atrás!

O Trilho das Lampas acontece ao sábado ao final do dia e consoante a velocidade de cada um, ainda se pode ver um pôr-do-sol espectacular na praia da Samarra (que claramente não foi o meu caso).

Estava exclusivamente nervosa por ser o meu trilho oficial mais longo e ainda por cima com grande parte percorrida durante a noite, conhecendo já eu o percurso e tendo perfeita noção de que certas zonas à noite iam ser bem complicadas.

A grande novidade e muito boa é que… o pai disse que me ia acompanhar! Tive sentimentos mistos, super feliz por mim que ia com a melhor companhia possível e que ainda por cima conhece super bem a zona o que me dava segurança a triplicar, mas, por outro lado, o meu pai faz esta prova desde a 1ª edição e pela primeira vez ia fazer uma prova de treta porque eu meti na cabeça que ia fazer esta prova. Meu pai! Podia lá eu pedir melhor… e vais fazer-me tantas, mas tanta falta que nem me cabe no peito a dor que sinto…


Sem pressas, eu e o pai ficámos no fim, tentando assim evitar as pessoas que vão com a ‘gula’ e que atropelam os demais, eu sabia perfeitamente que não ia para lá para ganhar, pelo que partir no fim, no meio ou no início, era-me completamente irrelevante, eu só queria terminar e de preferência abaixo das 3 horas.

PROVA

O início tem uma voltinha meio tola, no jardim principal de São João das Lampas em forma de ‘S’ e depois passa-se para o outro lado da estrada em direcção à costa e aos trilhos.

A primeira parte do percurso, eu diria que é a mais fácil, descemos muito mais no início da prova, ou seja, no início andava eu feliz da vida, mas como partimos no final apanhámos muitas pessoas pelo caminho com mais dificuldades do que eu e com mais mariquices, querendo eu dizer com isto, que apesar de ser um zero à esquerda e super coxa (das duas pernas atenção!) não sou nada comichosa com a sujidade, com meter os pés na lama ou água e por aí fora… o que significa que se não encontro uma solução menos agressiva, não perco tempo e faço o que tenho a fazer.

Primeiro obstáculo: água, um mini riozinho e ficámos logo parados, sim, porque depois são caminhos estreitos, o que significa que enquanto os da frente não passarem, tu não vais a lado nenhum e ficamos todos ali encalhados. Depois do obstáculo de água veio logo uma subida, o que acabou por nos empatar imenso, depois do obstáculos tínhamos ficado todos muito em cima uns dos outros, sem grandes margens e depois eramos tantas pessoas, em filinha, a andar, a avançar devagarinho, até dava para socializar e falar de peúgas, coser peúgas e sei lá eu mais o quê, mas a rapariga que ia à nossa frente falava sobre esse dilema da vida dela, ela e as peúgas, claro o palhação do meu pai achou por bem manifestar a sua teoria da peúguice (inventada à pressão) que só visto (ouvido!)…

Não consigo ser específica quanto às zonas por onde andava, o meu sentido de orientação é péssimo, pelo que as minhas descrições sobre as minhas provas em trilhos é deveras hilariante, baseando-se em caminhos, verde, montanha, árvores, arbustos, verde, montanha, estreito, subidas,… Com base no descrito anteriormente, lá estávamos nós num caminho estreito, meio enlameado, entre arbustos e em frente uma poça de lama com proporções assim grandinhas, a nossa única hipótese era um caminho à direita, muito estreitinho, a ser feito com um pé à frente do outro e devagarinho. Era a minha vez. Seguia o pai passo a passo, devagarinho. Não é que a rapariga atrás de mim se agarra às minhas ancas, claro, desequilibrei-me e fugiu-me o pé e eu caí para o lado direito onde me equilibrei mais ou menos com a mão e molhando apenas a perna e o braço do lado direito (percebi no dia a seguir que tinha caído de tal forma com a mão que espetei qualquer coisa entre a unha e dedo e acabei por ficar com a unha negra), para minha surpresa a rapariga diz “Ah era par te ajudar, pelos vistos foi má ideia…”, não quero tecer comentários, ou pelo menos muitos, principalmente porque tenho a vaga ideia que ela é que se desequilibrou e acabou por se agarrar a mim, eu que não estava de todo à espera … pumba! Charco.

A partir daqui foi mais do mesmo, subidas, descidas e mesmo nas descidas tínhamos que ir devagar ou corríamos o risco de ir a rebolar lá para baixo. As subidas para mim foram sempre muito custosas, a asma continua a vencer-me muito aqui e não sei como controlar, mesmo a fazê-las a andar (com um bom ritmo) fico completamente estafada e com falta de ar, a garganta a saber a sangue, o corpo super pesado, os pulmões apertadíssimos e a sentir-me uma porcaria.

O pôr-do-sol. Seria se nesta altura já tivesse passado a praia da Samarra e já tivesse subido as suas arribas, a partir daí o percurso já não era tão técnico e assim o mais difícil tinha sido feito com a luz do dia. Claro que isso não aconteceu, não ao ritmo das minhas pernas, quando se deu o pôr-do-sol ainda nem estava a descer para a praia, estava a terminar um subida e ainda me faltava um pouco para começar a descer para a praia.


A chegada à praia para mim já representava uma vitória, significava para mim um pouco mais do que metade do percurso feito. Quando cheguei à praia sorria, para mim e por mim, mas pouco tempo nos demoramos lá, ainda havia uma réstia de luz e o pai queria ao máximo aproveitá-la para subir as arribas da praia, que ainda eram lixadas. Lá em cima havia um abastecimento, só bebi água, o pai disse para comer, não me apetecia, parecia que ainda estava a arrotar o almoço tardio.  


Nestas descidas das arribas, houve uma que demos com alguém lesionado, que estava caído entre as rochas e todas as pessoas assobiavam, aproveitavam os apitos que tinham para chamar a atenção (aliás acho que servem exactamente para estas situações) e ninguém do staff se mexia. A uns 3 metros de mim estava um senhor da organização e ia embora, começámos todos a gritar por ele, até que lá veio ter connosco. Tentámos explicar a situação, ainda não tínhamos visto a pessoa, mas entendemos quase imediatamente o que se estava a passar, alguém tinha caído e precisava de assistência. Começámos a descer e o senhor chama-nos a dizer para confirmarmos se era verdade… Depois de ouvir mil pessoas a chamarem por ele e a pedir assistência, estava a pedir-nos para descer tudo e depois o que? voltar a subir? não tenho comentários, deviam estar preparados para estas situações, aliás, nem sei como iam socorrer a pessoa porque ali só de helicóptero…

Quando finalmente começámos a dar a volta, por dentro, sem virmos encostadinhos à costa, já eu ia mais para lá do que para cá, estava cansada, sentia-me amassada, mais facilmente cedia nas subidas e depois, deixem-me que vos diga que não fui feita para as lanternas na cabeça! Normalmente é uma comichão louca, não dá, desta vez para precaver essa situação levei aqueles lenço/fita (nem sei como é que se chamam, nunca tinha pensado sobre o assunto) mas nem assim, ora puxava para a frente, ora empurrava para trás, depois a minha luz era muito fraquinha, fartei-me de tropeçar, tinha que andar colada ao pai para conseguir ver o chão, mas depois já estava tão cansada que o perdia em segundos… coitado! Tem uma santa paciência e veio sempre a “puxar” por mim.

Quando largámos a parte dos trilhos e finalmente vi alcatrão só pensava “Estou a chegar. Estou a chegar.”, devia estar a 1 km da meta mas pareceu-me interminável, o pai continuava a “puxar” por mim e lá ia eu, meio em jeito “encantado” pois forças eram nenhumas.




Meta!!! 2h43m19s, menos de 3 horas. Feito!






"Agora só quero ir comer a minha sopinha, tomar uma banhoca e não me mexer durante uma semana!"

M.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

CORRER LÁ FORA - BRUXELAS (BÉLGICA)


Pouco ou nada viajei na minha vida, refiro-me a ir para fora de Portugal, porque por aqui no país onde nasci até já dei umas boas voltas. Após a minha entrada no meu trabalho actual a coisa tornou-se diferente, por conta de formações e reuniões, lá comecei o colocar os pezitos fora de território português.

E se há coisa que me diverte nesta fase da minha vida, é sem dúvida registar corridas noutros países, não consigo explicar o porquê, mas adoro a sensação de correr num sítio que não conheço, de conhecer esse sítio à minha maneira.

O que fazer quando temos uma reunião super rápida noutro país?!

Tudo planeado para que conseguisse fazer uma corrida, mesmo que pequena, por Bruxelas.

Equipamento – Check!
Roupa para a reunião – Check!
Telemóvel carregado + carregador  - Check!

Só tinha duas alternativas, ou chegava me instalava e me livrava de jantar com a manager e ia fazer uma corridinha tranquila e depois descobria um sítio para jantar, ou, e mais provável, aguentava-me à bronca, jantava com a manager que estava sozinha e tentava deitar-me cedo e ser forte o suficiente para acordar pouco antes das 6 horas e ir fazer uma corridinha logo de madrugada.

Opção º 2 – Check!

Trouxemos o sol connosco de Portugal pelo que Bruxelas esteve sempre luminoso e não chuvoso, assim ainda deu para conhecer um pouco da cidade, ver a praça principal que era só magnífica com edifícios de arquitectura espectacular e mais tarde lá encontramos um sítio para jantar, nada de especial e não o tradicional, Mexilhões e Batatas fritas não é de todo um prato que chame a minha atenção.




Não me deitei tão cedo quanto esperava, mas organizei tudo e tentei investigar o hotel, pelo que percebi o hotel tem sempre alguém na recepção 24/24, querendo isto dizer que a porta do exterior estaria sempre aberta, o que para mim era uma mais-valia.

O despertador tocou perto das 5h50 e lá me levantei, sem grandes dramas, queria tanto uma corrida lá, a marcar a minha presença naquele país, que me levantei super confiante e cheia de energia. Já tinha pensado mais ou menos o caminho que queria fazer, que nunca aconteceu, devo-me ter confundido umas quantas vezes e acabei por fazer outro percurso. A volta acabou por ser engraçada, continuava sem chover, por sorte não tive esse incómodo, todavia fazia frio, isso sim. Tirei umas quantas fotografias porque acaba sempre por ser um passeio para mim. Correu tudo bem, não me atrasei, tive tempo de sobra e consegui fazer 6 km num tempo que para mim é bastante porreiro e depois …





-“Hora do pequeno-almoço de hotel!” que eu adoro tanto e me soube tão bem.

M.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

MONTEJUNTO TRAIL - 9KM - 23.04.2017


O pai tem-me convencido e lá vou eu para estes mini trilhos, ele ganha companhia na viagem e depois a troca de ideias sobre os trilhos, ainda que da minha parte sejam mais lamúrias… Lá nos inscrevemos a mais um, assim mesmo em cima da hora.

A viagem não era muito longa, pelo que se fez bastante bem.

O pai é o homem das corridas e apesar de negar que não fala pelos cotovelos e que não é palhação que nem eu, É! Ora claro, de 10 em 10 minutos lá havia alguém a chamar por ele.

O pai faz sempre os trilhos de distâncias maiores, à conta disso começa sempre primeiro que eu, pelo que fico sempre uns minutos abandonada e sem jeito e como sempre, dão-me as vontades de fazer xixi mesmo antes da prova, que se for preciso nem faço nada, mas é sempre a mesma neura!

Devido ai (GRANDE) atraso a escrever sobre esta corrida, confesso que já não me recordo de forma minuciosa da prova e como nessa altura andei a fazer provas semana sim, semana sim, semana não, tenho ideia que já as confundo um pouco…

Vá, vá… a Prova.

Partida.

Tentei não pensar nas subidas, pensei em concentrar-me apenas em fazer a prova, aproveitar para tirar umas fotografias e tentar dar o meu melhor. Vou-me irritando com as pessoas e com as subidas… as pessoas irritam-me porque eu tento ao máximo respeitar os outros e tenho noção que não é reciproco, que os outros estão se pouco borrifando para quem quer que exista. Quero eu dizer com isto que por exemplo, eu tento ao máximo ter atenção de quem vem atrás de mim, ao seu ritmo, à sua prova, cedendo passagem se for necessário e farto-me de apanhar pessoas que param no meio do caminho impedindo a passagem aos restantes, só porque querem aquela foto da praxe, mas não querem perder o seu lugar… grrrrr… e também há aquelas que percebem que têm pessoas atrás mais velozes (que muitas vezes até pedem licença) e não facilitam a passagem! Ao menos nisso sou uma barraqueira, deve ser aquela costela já mais do Norte do país, é que passo o percurso todo a gritar “Deixem passar!”, “É dos 60 km!!”, “Cheguem-se à direita!”, “Boa sorte”, “Força!”, pronto já sabem, quando ouvirem gritos de mulher deste estilo… sou eu!

(mania de me desviar do tema…)

Estava controlada e a fazer a prova de forma coerente, fui ultrapassando uns quantos e lá ia eu, resmungando sempre, mas sempre que vejo subidas, mas dei conta que a nível de mulheres não me parecia estar mal. Houve ali uma altura que por instantes pensei que me tinha perdido e era a subir, comecei a fraquejar, mas vinha uma senhora atrás de mim, já na casa dos 50 anos (ou mais, não querendo ofender ninguém), que me apanhou e me deu uma força para não vacilar, lá me aguentei à bronca e prossegui junto dela. Ora era eu que ia à frente, ora era ela e passinho a passinho íamos avançando.

Saímos de um trilho e fomos dar a um estradão, sempre a subir, aqui conseguia ver imensas pessoas, umas já a terminarem a subida, via o cimo do monte, fiz muita parte a andar, tipo 80% da subida, estava cansada, estava com calor e era a subir. Do estradão íamos dar a um trilho do lado esquerdo, todo irregular, com pedra e ainda mais íngreme, custou-me muito esta parte, inclusive tiram-me uma foto quando estava a subir e é visível o quanto estava cansada e me estava a custar, mas só pensava que quando chegasse lá a cima a seguir melhorava.


Cheguei ao ponto de controlo, veio um pequenote ter comigo para dar “baixa” do meu dorsal e uns metros adiante havia um pequeno abastecimento, bebi apenas água e segui caminho, após aquela subida ultrapassada sentia-me forte e achava que a partir dali seria “canja”. A verdade é que quando cheguei ao abastecimento estava cheia de dores no pé direito, que teima em fazer ferida no mesmo local e que piora bastante nos trilhos, não sei se porque o terreno é mais irregular e o pé assenta em pedras, troncos, ramos … faço-me de forte mas aparentemente era visível porque quando passei o abastecimento alguém do staff me perguntou se estava bem porque vinha meio manca.


Continuando o percurso… Efectivamente após o abastecimento melhorou bastante, estávamos no monte e gradualmente a descer, o piso não era bem regular pelo que cada vez que o meu pé tocava em algo a dor tornava-se insuportável e começou a ser difícil desfrutar da corrida, aliás acho que a partir daqui pouco me recordo, lembro-me que o percurso era realmente mais fácil e que mesmo assim ganhei um pouco de ‘terreno’, estava praticamente sozinha e não via absolutamente ninguém. Só me recordo de verde, da senhora mais velha que de vez em quando lá nos ultrapassávamos, eu, ela, eu ela e assim foi até que ela me ganhou e cortou a meta pouco à minha frente, além disso, recordo-me que após todo o verde espectacular saímos por um trilho pequenino e que o último 1,5 km, mais coisa menos coisa, foi feito todo no alcatrão e a subir. Que seca!

Quando cortei a meta a primeira coisa que fiz (antes de comer, juro!) foi descalçar-me e tentar solucionar o meu problema, porque tirei os ténis e a pele tinha saltado e estava em carne viva, azar dos azares não tinha pensos e os chinelos tocavam precisamente nessa zona.






Ainda não tinham chegado muitas pessoas, mas das poucas mulheres que encontrei perguntei logo se tinham algo. NADA. Heis que vi um grupo de bombeiros, talvez um 6/7, fui ter com eles, meio atrapalhada porque estavam todos a conversar e eu meio sem jeito visto não querer interromper, mas pronto, assim que me aproximei captei as atenções e lá questionei se ninguém teria um penso que me pudesse disponibilizar. Em coro perguntam-me “Um penso? De quais?”, aquela pergunta ao início não me fez bem sentido, mas eu já só queria tratar do meu pé pelo que nem me apercebi, olhava para o meu e limitei-me a dizer isso “Pé” e ouve-se novamente em coro “Ahhh…” e nesse momento lá se deu uma luz e eu percebi. Oh meus amigos… creio eu, que se fosse de outro tipo de pensos eu não iria ser tão pouco discreta e perguntar logo a 6/7 caramelos se por acaso não teriam um penso. Bom, acabei por descobrir que não faz parte do kit primeiros socorros os pensos rápidos, pelo que me safaram uma compressa com fita adesiva, mas eu deu-me por contente porque já conseguia usar os meus chinelos.

Mais aliviada do meu pézinho, fui para perto da meta para esperar o meu papá, passei antes pela comida e roubei lá umas quantas coisitas (gorda que é gorda…). O velhote ficou em 3º do seu escalão. ADORO! Sempre uma filha babada!



Não éramos muitas meninas inscritas, pelo que pela primeira vez fiquei numa posição mais simpática, mas claro que é uma ilusão, visto a falta de meninas a participar na prova, mas eu fiquei contente na mesma!

M.