segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Resumo da Semana #1

Decidi criar uma nova rubrica aqui, de forma a pensar sobre o que fiz (ou não fiz) durante a semana.

Tenho a vaga ideia que depois de publicar o post vou ausentar-se a chorar pelos meus fracos dotes na corrida. Bom, sempre ouvi dizer que fazia bem chorar.

#1 - 31 de Julho a 6 de Agosto

Corri 2 vezes... apenas 2 vezes! Tenho tido uma preguiça enorme e uma falta de força de vontade ainda maior, pelo que que fui 2 vezes meio a arrastar-me e a sentir-me um barril com pernas bambas.

5ª feira 

Arranjei coragem e levantei-me às 5 horas da manhã, demorei 20 minutos até conseguir estar lá fora para correr, foram 20 minutos de luta comigo mesma "quero dormir" "quero correr" "preciso de descansar" "preciso de correr, gorda"

Sintra. Como sempre, nada plano. O que me vale é que se optar por ir para a Vila a volta é a descer.

Fiquei desiludida, já fiz este percurso mais vezes e com um tempo melhor, mas sentia-me cansada e inclusive com pequenas crises de asma, que já não acontecia faz tempo. Fiz a subida toda sempre meio ofegante e com as pernas cansadas, o caminho todo pensei "vou parar... vou parar...", não parei mas correr o tempo todo assim é muito irritante, pelo menos fiz qualquer coisa, ainda que devagarinho.







Sábado

Arranquei para Vale Manso, para ir ter com as minhas miúdas e fazermos um fim de semana todas juntas antes de eu emigrar e se começar a tornar ainda mais difícil esta reunião.

Tenho muito mal dormir, pelo que, mesmo tirando o alarme do telemóvel conforme elas me pediram, às 8h já estava eu de pé. Larguei o quarto e fui curtir um pouco da vista incrível da casa e posteriormente fui conhecer o local à minha maneira, um pouquinho a correr, um pouquinho a andar. Infelizmente estávamos em condomínio e eu não tinha a chave do portão e tive que me contentar por andar ali às voltas dentro do condomínio.

Mais uma desilusão para a semana, nada plano, ou seja, descia imenso e depois subia imenso... subidas quase todas a andar e pronto as descidas todas a correr. Odeio esta coisa de eu e as subidas não nos entendermos... não dá.








Espero que esta semana e as próximas a coisa (que se chama corrida) melhore.

M.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

TRILHO DAS LAMPAS - 20KM - 13.05.2017


Nervos! Nervos! Nervos!

Vai-se lá saber porquê, mas queria imenso fazer este trilho, não sei se por ser tão pertinho de casa, se por todos os anos ouvir o pai a falar dele (a prova que faz desde a 1ª edição), mas a cabeça dizia que sim e assim foi, de coração atrás!

O Trilho das Lampas acontece ao sábado ao final do dia e consoante a velocidade de cada um, ainda se pode ver um pôr-do-sol espectacular na praia da Samarra (que claramente não foi o meu caso).

Estava exclusivamente nervosa por ser o meu trilho oficial mais longo e ainda por cima com grande parte percorrida durante a noite, conhecendo já eu o percurso e tendo perfeita noção de que certas zonas à noite iam ser bem complicadas.

A grande novidade e muito boa é que… o pai disse que me ia acompanhar! Tive sentimentos mistos, super feliz por mim que ia com a melhor companhia possível e que ainda por cima conhece super bem a zona o que me dava segurança a triplicar, mas, por outro lado, o meu pai faz esta prova desde a 1ª edição e pela primeira vez ia fazer uma prova de treta porque eu meti na cabeça que ia fazer esta prova. Meu pai! Podia lá eu pedir melhor… e vais fazer-me tantas, mas tanta falta que nem me cabe no peito a dor que sinto…


Sem pressas, eu e o pai ficámos no fim, tentando assim evitar as pessoas que vão com a ‘gula’ e que atropelam os demais, eu sabia perfeitamente que não ia para lá para ganhar, pelo que partir no fim, no meio ou no início, era-me completamente irrelevante, eu só queria terminar e de preferência abaixo das 3 horas.

PROVA

O início tem uma voltinha meio tola, no jardim principal de São João das Lampas em forma de ‘S’ e depois passa-se para o outro lado da estrada em direcção à costa e aos trilhos.

A primeira parte do percurso, eu diria que é a mais fácil, descemos muito mais no início da prova, ou seja, no início andava eu feliz da vida, mas como partimos no final apanhámos muitas pessoas pelo caminho com mais dificuldades do que eu e com mais mariquices, querendo eu dizer com isto, que apesar de ser um zero à esquerda e super coxa (das duas pernas atenção!) não sou nada comichosa com a sujidade, com meter os pés na lama ou água e por aí fora… o que significa que se não encontro uma solução menos agressiva, não perco tempo e faço o que tenho a fazer.

Primeiro obstáculo: água, um mini riozinho e ficámos logo parados, sim, porque depois são caminhos estreitos, o que significa que enquanto os da frente não passarem, tu não vais a lado nenhum e ficamos todos ali encalhados. Depois do obstáculo de água veio logo uma subida, o que acabou por nos empatar imenso, depois do obstáculos tínhamos ficado todos muito em cima uns dos outros, sem grandes margens e depois eramos tantas pessoas, em filinha, a andar, a avançar devagarinho, até dava para socializar e falar de peúgas, coser peúgas e sei lá eu mais o quê, mas a rapariga que ia à nossa frente falava sobre esse dilema da vida dela, ela e as peúgas, claro o palhação do meu pai achou por bem manifestar a sua teoria da peúguice (inventada à pressão) que só visto (ouvido!)…

Não consigo ser específica quanto às zonas por onde andava, o meu sentido de orientação é péssimo, pelo que as minhas descrições sobre as minhas provas em trilhos é deveras hilariante, baseando-se em caminhos, verde, montanha, árvores, arbustos, verde, montanha, estreito, subidas,… Com base no descrito anteriormente, lá estávamos nós num caminho estreito, meio enlameado, entre arbustos e em frente uma poça de lama com proporções assim grandinhas, a nossa única hipótese era um caminho à direita, muito estreitinho, a ser feito com um pé à frente do outro e devagarinho. Era a minha vez. Seguia o pai passo a passo, devagarinho. Não é que a rapariga atrás de mim se agarra às minhas ancas, claro, desequilibrei-me e fugiu-me o pé e eu caí para o lado direito onde me equilibrei mais ou menos com a mão e molhando apenas a perna e o braço do lado direito (percebi no dia a seguir que tinha caído de tal forma com a mão que espetei qualquer coisa entre a unha e dedo e acabei por ficar com a unha negra), para minha surpresa a rapariga diz “Ah era par te ajudar, pelos vistos foi má ideia…”, não quero tecer comentários, ou pelo menos muitos, principalmente porque tenho a vaga ideia que ela é que se desequilibrou e acabou por se agarrar a mim, eu que não estava de todo à espera … pumba! Charco.

A partir daqui foi mais do mesmo, subidas, descidas e mesmo nas descidas tínhamos que ir devagar ou corríamos o risco de ir a rebolar lá para baixo. As subidas para mim foram sempre muito custosas, a asma continua a vencer-me muito aqui e não sei como controlar, mesmo a fazê-las a andar (com um bom ritmo) fico completamente estafada e com falta de ar, a garganta a saber a sangue, o corpo super pesado, os pulmões apertadíssimos e a sentir-me uma porcaria.

O pôr-do-sol. Seria se nesta altura já tivesse passado a praia da Samarra e já tivesse subido as suas arribas, a partir daí o percurso já não era tão técnico e assim o mais difícil tinha sido feito com a luz do dia. Claro que isso não aconteceu, não ao ritmo das minhas pernas, quando se deu o pôr-do-sol ainda nem estava a descer para a praia, estava a terminar um subida e ainda me faltava um pouco para começar a descer para a praia.


A chegada à praia para mim já representava uma vitória, significava para mim um pouco mais do que metade do percurso feito. Quando cheguei à praia sorria, para mim e por mim, mas pouco tempo nos demoramos lá, ainda havia uma réstia de luz e o pai queria ao máximo aproveitá-la para subir as arribas da praia, que ainda eram lixadas. Lá em cima havia um abastecimento, só bebi água, o pai disse para comer, não me apetecia, parecia que ainda estava a arrotar o almoço tardio.  


Nestas descidas das arribas, houve uma que demos com alguém lesionado, que estava caído entre as rochas e todas as pessoas assobiavam, aproveitavam os apitos que tinham para chamar a atenção (aliás acho que servem exactamente para estas situações) e ninguém do staff se mexia. A uns 3 metros de mim estava um senhor da organização e ia embora, começámos todos a gritar por ele, até que lá veio ter connosco. Tentámos explicar a situação, ainda não tínhamos visto a pessoa, mas entendemos quase imediatamente o que se estava a passar, alguém tinha caído e precisava de assistência. Começámos a descer e o senhor chama-nos a dizer para confirmarmos se era verdade… Depois de ouvir mil pessoas a chamarem por ele e a pedir assistência, estava a pedir-nos para descer tudo e depois o que? voltar a subir? não tenho comentários, deviam estar preparados para estas situações, aliás, nem sei como iam socorrer a pessoa porque ali só de helicóptero…

Quando finalmente começámos a dar a volta, por dentro, sem virmos encostadinhos à costa, já eu ia mais para lá do que para cá, estava cansada, sentia-me amassada, mais facilmente cedia nas subidas e depois, deixem-me que vos diga que não fui feita para as lanternas na cabeça! Normalmente é uma comichão louca, não dá, desta vez para precaver essa situação levei aqueles lenço/fita (nem sei como é que se chamam, nunca tinha pensado sobre o assunto) mas nem assim, ora puxava para a frente, ora empurrava para trás, depois a minha luz era muito fraquinha, fartei-me de tropeçar, tinha que andar colada ao pai para conseguir ver o chão, mas depois já estava tão cansada que o perdia em segundos… coitado! Tem uma santa paciência e veio sempre a “puxar” por mim.

Quando largámos a parte dos trilhos e finalmente vi alcatrão só pensava “Estou a chegar. Estou a chegar.”, devia estar a 1 km da meta mas pareceu-me interminável, o pai continuava a “puxar” por mim e lá ia eu, meio em jeito “encantado” pois forças eram nenhumas.




Meta!!! 2h43m19s, menos de 3 horas. Feito!






"Agora só quero ir comer a minha sopinha, tomar uma banhoca e não me mexer durante uma semana!"

M.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

CORRER LÁ FORA - BRUXELAS (BÉLGICA)


Pouco ou nada viajei na minha vida, refiro-me a ir para fora de Portugal, porque por aqui no país onde nasci até já dei umas boas voltas. Após a minha entrada no meu trabalho actual a coisa tornou-se diferente, por conta de formações e reuniões, lá comecei o colocar os pezitos fora de território português.

E se há coisa que me diverte nesta fase da minha vida, é sem dúvida registar corridas noutros países, não consigo explicar o porquê, mas adoro a sensação de correr num sítio que não conheço, de conhecer esse sítio à minha maneira.

O que fazer quando temos uma reunião super rápida noutro país?!

Tudo planeado para que conseguisse fazer uma corrida, mesmo que pequena, por Bruxelas.

Equipamento – Check!
Roupa para a reunião – Check!
Telemóvel carregado + carregador  - Check!

Só tinha duas alternativas, ou chegava me instalava e me livrava de jantar com a manager e ia fazer uma corridinha tranquila e depois descobria um sítio para jantar, ou, e mais provável, aguentava-me à bronca, jantava com a manager que estava sozinha e tentava deitar-me cedo e ser forte o suficiente para acordar pouco antes das 6 horas e ir fazer uma corridinha logo de madrugada.

Opção º 2 – Check!

Trouxemos o sol connosco de Portugal pelo que Bruxelas esteve sempre luminoso e não chuvoso, assim ainda deu para conhecer um pouco da cidade, ver a praça principal que era só magnífica com edifícios de arquitectura espectacular e mais tarde lá encontramos um sítio para jantar, nada de especial e não o tradicional, Mexilhões e Batatas fritas não é de todo um prato que chame a minha atenção.




Não me deitei tão cedo quanto esperava, mas organizei tudo e tentei investigar o hotel, pelo que percebi o hotel tem sempre alguém na recepção 24/24, querendo isto dizer que a porta do exterior estaria sempre aberta, o que para mim era uma mais-valia.

O despertador tocou perto das 5h50 e lá me levantei, sem grandes dramas, queria tanto uma corrida lá, a marcar a minha presença naquele país, que me levantei super confiante e cheia de energia. Já tinha pensado mais ou menos o caminho que queria fazer, que nunca aconteceu, devo-me ter confundido umas quantas vezes e acabei por fazer outro percurso. A volta acabou por ser engraçada, continuava sem chover, por sorte não tive esse incómodo, todavia fazia frio, isso sim. Tirei umas quantas fotografias porque acaba sempre por ser um passeio para mim. Correu tudo bem, não me atrasei, tive tempo de sobra e consegui fazer 6 km num tempo que para mim é bastante porreiro e depois …





-“Hora do pequeno-almoço de hotel!” que eu adoro tanto e me soube tão bem.

M.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

MONTEJUNTO TRAIL - 9KM - 23.04.2017


O pai tem-me convencido e lá vou eu para estes mini trilhos, ele ganha companhia na viagem e depois a troca de ideias sobre os trilhos, ainda que da minha parte sejam mais lamúrias… Lá nos inscrevemos a mais um, assim mesmo em cima da hora.

A viagem não era muito longa, pelo que se fez bastante bem.

O pai é o homem das corridas e apesar de negar que não fala pelos cotovelos e que não é palhação que nem eu, É! Ora claro, de 10 em 10 minutos lá havia alguém a chamar por ele.

O pai faz sempre os trilhos de distâncias maiores, à conta disso começa sempre primeiro que eu, pelo que fico sempre uns minutos abandonada e sem jeito e como sempre, dão-me as vontades de fazer xixi mesmo antes da prova, que se for preciso nem faço nada, mas é sempre a mesma neura!

Devido ai (GRANDE) atraso a escrever sobre esta corrida, confesso que já não me recordo de forma minuciosa da prova e como nessa altura andei a fazer provas semana sim, semana sim, semana não, tenho ideia que já as confundo um pouco…

Vá, vá… a Prova.

Partida.

Tentei não pensar nas subidas, pensei em concentrar-me apenas em fazer a prova, aproveitar para tirar umas fotografias e tentar dar o meu melhor. Vou-me irritando com as pessoas e com as subidas… as pessoas irritam-me porque eu tento ao máximo respeitar os outros e tenho noção que não é reciproco, que os outros estão se pouco borrifando para quem quer que exista. Quero eu dizer com isto que por exemplo, eu tento ao máximo ter atenção de quem vem atrás de mim, ao seu ritmo, à sua prova, cedendo passagem se for necessário e farto-me de apanhar pessoas que param no meio do caminho impedindo a passagem aos restantes, só porque querem aquela foto da praxe, mas não querem perder o seu lugar… grrrrr… e também há aquelas que percebem que têm pessoas atrás mais velozes (que muitas vezes até pedem licença) e não facilitam a passagem! Ao menos nisso sou uma barraqueira, deve ser aquela costela já mais do Norte do país, é que passo o percurso todo a gritar “Deixem passar!”, “É dos 60 km!!”, “Cheguem-se à direita!”, “Boa sorte”, “Força!”, pronto já sabem, quando ouvirem gritos de mulher deste estilo… sou eu!

(mania de me desviar do tema…)

Estava controlada e a fazer a prova de forma coerente, fui ultrapassando uns quantos e lá ia eu, resmungando sempre, mas sempre que vejo subidas, mas dei conta que a nível de mulheres não me parecia estar mal. Houve ali uma altura que por instantes pensei que me tinha perdido e era a subir, comecei a fraquejar, mas vinha uma senhora atrás de mim, já na casa dos 50 anos (ou mais, não querendo ofender ninguém), que me apanhou e me deu uma força para não vacilar, lá me aguentei à bronca e prossegui junto dela. Ora era eu que ia à frente, ora era ela e passinho a passinho íamos avançando.

Saímos de um trilho e fomos dar a um estradão, sempre a subir, aqui conseguia ver imensas pessoas, umas já a terminarem a subida, via o cimo do monte, fiz muita parte a andar, tipo 80% da subida, estava cansada, estava com calor e era a subir. Do estradão íamos dar a um trilho do lado esquerdo, todo irregular, com pedra e ainda mais íngreme, custou-me muito esta parte, inclusive tiram-me uma foto quando estava a subir e é visível o quanto estava cansada e me estava a custar, mas só pensava que quando chegasse lá a cima a seguir melhorava.


Cheguei ao ponto de controlo, veio um pequenote ter comigo para dar “baixa” do meu dorsal e uns metros adiante havia um pequeno abastecimento, bebi apenas água e segui caminho, após aquela subida ultrapassada sentia-me forte e achava que a partir dali seria “canja”. A verdade é que quando cheguei ao abastecimento estava cheia de dores no pé direito, que teima em fazer ferida no mesmo local e que piora bastante nos trilhos, não sei se porque o terreno é mais irregular e o pé assenta em pedras, troncos, ramos … faço-me de forte mas aparentemente era visível porque quando passei o abastecimento alguém do staff me perguntou se estava bem porque vinha meio manca.


Continuando o percurso… Efectivamente após o abastecimento melhorou bastante, estávamos no monte e gradualmente a descer, o piso não era bem regular pelo que cada vez que o meu pé tocava em algo a dor tornava-se insuportável e começou a ser difícil desfrutar da corrida, aliás acho que a partir daqui pouco me recordo, lembro-me que o percurso era realmente mais fácil e que mesmo assim ganhei um pouco de ‘terreno’, estava praticamente sozinha e não via absolutamente ninguém. Só me recordo de verde, da senhora mais velha que de vez em quando lá nos ultrapassávamos, eu, ela, eu ela e assim foi até que ela me ganhou e cortou a meta pouco à minha frente, além disso, recordo-me que após todo o verde espectacular saímos por um trilho pequenino e que o último 1,5 km, mais coisa menos coisa, foi feito todo no alcatrão e a subir. Que seca!

Quando cortei a meta a primeira coisa que fiz (antes de comer, juro!) foi descalçar-me e tentar solucionar o meu problema, porque tirei os ténis e a pele tinha saltado e estava em carne viva, azar dos azares não tinha pensos e os chinelos tocavam precisamente nessa zona.






Ainda não tinham chegado muitas pessoas, mas das poucas mulheres que encontrei perguntei logo se tinham algo. NADA. Heis que vi um grupo de bombeiros, talvez um 6/7, fui ter com eles, meio atrapalhada porque estavam todos a conversar e eu meio sem jeito visto não querer interromper, mas pronto, assim que me aproximei captei as atenções e lá questionei se ninguém teria um penso que me pudesse disponibilizar. Em coro perguntam-me “Um penso? De quais?”, aquela pergunta ao início não me fez bem sentido, mas eu já só queria tratar do meu pé pelo que nem me apercebi, olhava para o meu e limitei-me a dizer isso “Pé” e ouve-se novamente em coro “Ahhh…” e nesse momento lá se deu uma luz e eu percebi. Oh meus amigos… creio eu, que se fosse de outro tipo de pensos eu não iria ser tão pouco discreta e perguntar logo a 6/7 caramelos se por acaso não teriam um penso. Bom, acabei por descobrir que não faz parte do kit primeiros socorros os pensos rápidos, pelo que me safaram uma compressa com fita adesiva, mas eu deu-me por contente porque já conseguia usar os meus chinelos.

Mais aliviada do meu pézinho, fui para perto da meta para esperar o meu papá, passei antes pela comida e roubei lá umas quantas coisitas (gorda que é gorda…). O velhote ficou em 3º do seu escalão. ADORO! Sempre uma filha babada!



Não éramos muitas meninas inscritas, pelo que pela primeira vez fiquei numa posição mais simpática, mas claro que é uma ilusão, visto a falta de meninas a participar na prova, mas eu fiquei contente na mesma!

M.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

TREINO PARA O TRILHO DAS LAMPAS – 18K – 16.04.2017


Ando com o bichinho dos trilhos, não que seja excelente na coisa, nem minimamente boa, nem razoável sequer, mas provavelmente por todos os outros motivos explicados anteriormente noutro post… Depois tenho a pancada dos 21 quilómetros, talvez porque era sem dúvida o meu grande objectivo na corrida, a distância da Meia Maratona e por tanto tempo inalcançável. Ora, depois de Paris tudo mudou, fiz 21 quilómetros pela primeira vez lá, depois vim fazer os 20K de Cascais, depois mais tarde oficializei a distância na Meia dos Descobrimentos seguindo-me em Março com mais 2!

Se as faço tranquilamente?! NÃO! De todo! Umas melhores que outras, mas por volta do quilómetro 15 começo sempre a entrar em paranóia, os pés a ficarem dormentes, ou o direito a fazer bolha as always, o desespero de os quilómetros não passarem… Devia escrever dramas.

Isto tudo para dizer que fiquei com o bichinho de ir fazer o Trilho das Lampas, era trilho, era na minha zona, zona bonita, com passagem na Praia da Samarra e vista para a Praia da Vigia, a distância era grande podia puxar por mim. E melhor de tudo, fazem sempre um treino para essa prova na 6ª feira Santa, a minha ideia era chatear o meu pai para vir comigo, na 6ªfeira fazia em jeito de testar o quanto a coisa era fazível, se me aguentasse e o fizesse num máximo de 3h30 iria à prova, pelo que deixei a inscrição pendente de pagamento.

6ªFeira Santa

De Santa não teve nada, estava com uma gastroenterite, andei de tal forma preguiçosa que nessa semana encomendei todos os dias comida à Tété, senhora com refeições a 3,80€ entregues no escritório, a comida não é óptima e maravilhosa, mas por 3,80€ com doses satisfatórias e entregues sempre 11h30 no escritório não é nada mau. Coincidência ou não, a semana que comi sempre Tété a minha barriga não estava bem, muitas idas à casa de banho, um treino a meio da semana no qual tive que parar a meio tal eram as dores… Quando acordei na manhã de 6ªfeira, ainda eram 6h da manhã e eu já estava trancada na casa de banho e com dores imensas, tinha que me contorcer toda para tentar aliviar, disse ao pai que não iria conseguir fazer o treino por grande pena minha, estava destroçada.
Fui às urgências e voltei toda “kitada” de medicação, eram comprimidos para tudo e tive direito a dieta também, arrozinho branco, frango ou peru grelhado e creme de cenoura. Muita água. Fim-de-semana grande em altas, eu esbanjava felicidade.

O pai foi na mesma fazer o treino, foi desde o 1º ano que o realizaram e conhece sei lá eu quantas pessoas para lá, fiquei com mega inveja, por outro lado sei que não o atrapalhei porque obviamente não tenho a mesma pedalada que ele.

Descansei o fim-de-semana todo e chateei o pai para ir fazer o mesmo comigo no Domingo, se eu me estivesse a sentir melhor.

Domingo

Levantei-me cedo e tomei um bom pequeno-almoço, fiz questão de o fazer bem cedo para entender como estava a minha barriga, continuava inchada e meio dura, mas nada comparado com o que estava anteriormente. Fui forte e segui em frente com o que queria fazer, tinha que ser!

O pai cortou a parte do troço que era em estrada, o 1º quilómetro, e começamos logo pelos trilhos. Continuo a ser meio trapalhona, tropeço umas quantas vezes, mas não fui ao chão o que por si só e bastante bom para mim.

Fui-me esforçando o melhor que pude e obviamente sendo só eu e o pai sentia-me mais confortável e à vontade, por vezes o pai parava para me explicar zonas, ver a vista, tirarmos umas fotografias. As subidas continuam a ser um massacre, não percebo como ele consegue, subidas a sério e ir sempre em passo de corrida, porque há subidas e subidas, mas as dos trilhos normalmente até na alma me doem.
Fui fazendo tudo sem me queixar, melhorei bastante nos últimos 2 anos a nível de queixas, fazia birras quando o caminho não me agradava, mal via as subidas, se o pai fosse muito depressa… Hoje em dia limito-me a ir na minha, se parar parei e não faço alarido, quando consigo retomo, mas ao menos deixei de resmungar com o pai nesse sentido.

Não sei porquê mas sentia-me tranquila, normalmente quando são distâncias grandes parece que tenho um chip que começa a fazer curto-circuito por causa dos nervos, a controlar a distância a todos os momentos, mas por incrível que parece estava bem nesse sentido, claro, custava-me, sentia-me cansada, vinham as subidas e eu engolia em seco, mas por outro lado sentia uma sensação de calma.
O dia esteve sempre agradável, a vista foi espectacular do início ao fim, os caminhos dos trilhos são sempre bem mais interessantes que os de estrada, dá vontade de tirar fotografias a todos os momentos, registar todos os caminhos por onde passámos, todas as subidas e descidas.

Conheço a praia da Samarra desde pequena, não é uma praia que frequente, mas como a conhecia e sabia que o percurso passava por lá, quando finalmente a vi, quando finalmente toquei na areia e vi o mar… Felicidade. Acho que é este o significado verdadeiro da corrida. Nesta altura tinha à volta de 9/10 km, ou seja, sabia que aqui seria pouco mais do que o meio da prova oficial. Isto da praia é muito bonito, mas a subida que me esperava da praia até lá a cima… M-E-D-O.


Vista incrível para a praia (não vigiada) da Vigia! A partir daqui deixávamos de estar junto à costa, começávamos a correr por trilhos interiores e a voltar para trás, os caminhos já não eram tão perigosos pois já não tínhamos as enormes arribas em que nos arriscávamos a cair lá para baixo, e que já eram difíceis de fazer à luz do dia, quando me recordava que a prova oficial grande parte era feita à noite, sentia o meu corpinho todo a tremer.


O caminho de volta era mais pacífico mas continuava a ter altimetria, eu ia fazendo ao meu ritmo o melhor que podia, sabia que tinha que conseguir fazer isto, para deixar o pai orgulhoso e para ganhar coragem de fazer a prova oficial, mas não nego que o cansaço se apoderava de mim, mas o pai sempre muito paciente, chato, mas paciente em aturar-me também.

18 km feitos!





Serei capaz de fazer mais 2 km certamente! Inscrição confirmada!


M.


P.S. Descobri que o meu pai adora selfies ...

segunda-feira, 31 de julho de 2017

CORUCHE CORK TRAIL – 13K – 09.04.2017


O primeiro Trail que fiz foi bastante doloroso para a minha pessoa, por outro lado deu-me um enorme prazer, percorrer distância sem dar prioridade a correr sem parar, mas simplesmente fazê-lo!
Foi das coisas que sempre me custou muito a lidar, continuo na luta comigo mesma nesse sentido, desvalorizando-me se páro nem que seja por 1 minuto, como se fosse desonesto e deixasse de ter importância o facto de ter terminado 10k, 15k ou 20k… Os trilhos têm-me ajudado muito a mudar isso na minha cabeça, primeiro porque tenho visto e conhecido pessoas que fazem trilhos e me dizem que é normal fazer partes a andar, conheci inclusive uma asmática que faz bastantes partes a andar e ainda assim é capaz de andar ai a fazer trilhos de 40k, mesmo que precise de demorar 7 ou 8 horas.
Dito tudo isto, lá fui eu para uma nova aventura com o prometido de almoçar em Almeirim para uma típica sopa da pedra. Eu faço os trilhos curtos e o pai faz os médios ou longos, assim como eu sou uma lesma o trilho é mais curto e ele não tem que esperar por mim e eu normalmente também não espero muito tempo por ele.

Como sempre, o primeiro quilómetro parece-me sempre incrível e que a altimetria vai ser nula. Primeira barreira. Uma subida absurda de areia! Nem queria acreditar, quase parecia um muro, para não falar que sendo areia subir requer o dobro do esforço tendo em conta que me vou enterrando.
Passado o primeiro obstáculo, lá fui ganhando força para continuar a prova, uns quantos altos e baixos mas eu tentei dar o meu melhor, parei muitas vezes, havia subidas parvas. Não gosto de subidas. Com o decorrer da prova fui recuperando e lá ultrapassei umas quantas pessoas, por dada altura estava sozinha, quando chegava a zonas amplas onde podia ver metros do percurso, visualizava outros, mas se estivesse no meio dos trilhos com árvores e vegetação estava completamente abandonada.

Dei com uma zona pantanosa, tinha recuperado bastante mas aquela parte atrapalhou-me, tentei mandar-me mais para o lado direito onde o chão estava mais firme, no início safei-me, entretanto quando coloco novamente o pé no chão enterrei-me em lama e fiquei presa nas silvas, parte da t-shirt e um pouco do braço, nisto outros corredores começaram a “apanhar-me”, mal me safei dessas silvas, continuei pela lama, meio desequilibrada e quando chego a terra firme,… areia… Ou seja, toda a lama que trazia nas sapatilhas ficou versão croquete com a areia, da subida… Sempre uma animação estes trilhos.

Controlo do chip ao passar numa casinha de madeira e depois da experiência em Monsaraz gritei o número do meu dorsal tipo 3 vezes, do outro lado da casinha havia um chuveiro para nos refrescarmos, molhei as mãos, braços e a cara, sabe-me sempre nesses sítios do corpo.
Continuei o meu caminho e por esta altura começava a ficar cansada e entediada, mas o percurso decidiu tornar-se mais técnico e começávamos a amontoar-nos outra vez, já não ia só, tinha sempre alguém à minha frente e alguém à minha perna.

(obrigado ao autor da foto)

Multidão! Parados! Mas que raio… Era uma parte técnica, uma descida que aparentava ser complicada, à minha frente torciam narizes, as miúdas não queriam… Estava a ficar assustada. Era mais drama do que outra coisa, sim era mais técnico mas havia sempre um local para por o pé. Continuando. Mas uma descida aqui outra ali. Um troço mais manhoso por não ter grande margem de manobra ou vai-se lá parar abaixo, e heis que um senhor do staff/fotografo dá força à malta, que não há anda a temer e ninguém até á data caiu.

Pronto! Caí!

Não posso ouvir nada, tive logo que espalhar charme!
Culpo o senhor do staff só para que saibam.

Não via hora de acabar, estava cansada, estava imenso calor,  cruzei o último abastecimento e limitei-me a mandar um copo de água para a cara e segui, já só queria acabar. Nesta altura tive sempre uma companheira, não sei o nome dela, estava de azul e andávamos ali sempre à roda uma da outra, sofríamos juntas nas subidas que pensávamos já terem acabado, corríamos na mesma altura e já trocávamos uma ou outra palavra de encorajamento.

Subidinha linda para acabar em grande estilo, só que eu dispensava essa entrada em grande estilo, podia muito bem ser a direito ou melhor ainda a descer! Só me apetecia parar, mas depois pensava Vá são 100 metros mostra lá como és capaz! Assim foi! 12,6 km!






Queria ir tomar banho, queria comer, queria descalçar-me… mas o pai podia estar a chegar. Petisquei umas coisitas que eles tinham para lá, saquei uma garrafa de água e fui sentar-me lá no passeio junto à meta!

Uma vez mais lá estava eu pronta para lhe tirar umas fotos! Grande pai!


M.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

CORRIDA SEMPRE MULHER – 5K – 02.04.2017

Não costumo ir a estas provas, não sei porque, nada contra, mas acho que foi a primeira que vez que me inscrevi numa corrida de ‘mulheres’ e foi porque uma amiga me persuadiu, iríamos juntas e pronto, eram só 5km, pertinho, tranquilo.
Ela não foi! Andei perdida ainda pelas zonas dela, Lisboa não é o meu forte para conduzir, não conheço nada, não conheço caminhos nenhuns, bom enfim… toda uma aventura. Ora, eu ligava e nada, eu esperava no sítio combinado e nada, pensei em não ir, tinha-me inscrito por ela e ela não dava sinais de vida, então tudo bem ia voltar para o meu lar, doce lar. Não! Ora, mas desde quando é que eu deixo de ir a uma prova porque vou sozinha?! Vamos!

Estacionei perto do metro do Alto dos Moinhos, tinha o passe, uma moedinha de €2 não fosse ser necessário, telemóvel, chaves do carro, pernas. Tudo Ok! Faltavam 30 minutos para a prova começar e eu ainda não estava lá, já estava em neura máxima, como de costume, toda uma agitação na minha pessoa nestes momentos. Cheguei a tempo claro, só eu é que faço todo o filme antes dos momentos.

Toda uma avenida minada de cor-de-rosa, lamento não fazer parte da maioria, mas o cor-de-rosa não é uma cor que me faça feliz. Estava quase na linha da frente, também não é normal, costumo estar mais para trás para evitar atrapalhar os outros, mas tudo bem, estava sozinha, ia tentar curtir a prova e despachar-me para evitar as confusões do metros e chegar a casa descansada.

PARTIDA!

Ok, comecei bem, controlar a respiração, esta parte é toda a subir. Aguentar esta parte é o principal. Começaram a vir as contas de cabeça, acho que já tinha referido noutro post que quando corro penso em mil coisas, receitas para fazer, contas para quantos quilómetros faltam, contas para calcular o ritmo e os tempos que posso fazer, pois já estava nessa fase e ainda agora tinha começado. A corrida é ida e volta, ou seja os primeiros 2,5 quilómetros serão sempre a subir e depois é tudo a descer… Boa! Estou a fazer 6 e pouco minutos por quilómetros. E estou a subir. Controla a respiração! 6:17min/km! 6:13 min/km! 6:07min/km! 6:20min/km! Aguenta Mafalda! Já estava a chegar à zona do Saldanha, pior parte já estava feita, tinha começado a baixar a velocidade, bolas! Ia começar a descer, mas bolas tinha mais uma mini subidinha, não sei se os meus pulmões iam aguentar aquilo, mas tinha que ser! Lá continuei, não parei para beber água, fugia do sol sempre que podia, mesmo assim entre os prédios ainda apanhei umas boas sombras o que foi uma sorte pois estava a ficar um calor parvo. Estava a começar a parte a descer. 6:13, 6:12, 6:11… Boa, boa Mafalda! Continua! 6:01, 6:00, 5:59, 5:58… Estava a ganhar velocidade, tinha que continuar, por este andar ia terminar os 5km abaixo de 30 minutos, ia ser o meu recorde pessoal, ia ter uma corrida em que o ritmo ia marcar abaixo de 6:00 min/km. O relógio já marcava ritmo abaixo de 5:30 min/km, começava a sentir-me estafada, os meus pulmões estavam a latejar, a minha garganta sabia a sangue, começava a ouvir a minha pieira, olhei para o meu relógio e chegou a marcar ritmo de 4:53 min/km, estava incrédula, mas compreendia a pieira, a asma a tentar vencer-me à força e quando verifiquei novamente o relógio estava a reduzir o ritmo, estava a bater outra vez nos 5 minutos e outros tantos segundos… Não! Já estava a ver a meta, não ia desistir agora, entretanto umas poucas mulheres passaram-me e eu tentei ao máximo recuperar, faltava menos de 1 quilómetro, um último esforço e batia um recorde pessoal. Não fui aos 4 minutos outra vez, mas não passei dos 6 minutos e cruzei a meta com uma média de 5:57 min/km, que para uns quantos é ridícula para mim foi uma vitória e cheguei completamente de rastos e ofegante.

Estava sozinha, acabei a prova, peguei na água que me deram no final e ia embora. Depois pensei, calma, vim sozinha mas acabei de correr, está um tempo incrível, deram-me uma barrita e um pacote de leite, vou respirar e descansar um pouco antes de ir para casa. Lá me encostei a um muro, perto do metro, à sombra e com um balão que me ofereceram e descontraidamente lá mandei a minha barrita abaixo!

Consegui socializar com duas senhoras de idade, muito simpáticas e brincalhonas e cheias de garra para continuarem a fazer estas actividades ainda que muito vagarosamente! Ficámos de nos encontrar para o ano, quem sabe…



M.