O
pai tem-me convencido e lá vou eu para estes mini trilhos, ele ganha companhia
na viagem e depois a troca de ideias sobre os trilhos, ainda que da minha parte
sejam mais lamúrias… Lá nos inscrevemos a mais um, assim mesmo em cima da hora.
A
viagem não era muito longa, pelo que se fez bastante bem.
O
pai é o homem das corridas e apesar de negar que não fala pelos cotovelos e que não é palhação que nem eu, É! Ora claro, de 10 em 10 minutos lá havia alguém a
chamar por ele.
O
pai faz sempre os trilhos de distâncias maiores, à conta disso começa sempre
primeiro que eu, pelo que fico sempre uns minutos abandonada e sem jeito e como
sempre, dão-me as vontades de fazer xixi mesmo antes da prova, que se for
preciso nem faço nada, mas é sempre a mesma neura!
Devido
ai (GRANDE) atraso a escrever sobre esta corrida, confesso que já não me
recordo de forma minuciosa da prova e como nessa altura andei a fazer provas
semana sim, semana sim, semana não, tenho ideia que já as confundo um pouco…
Vá,
vá… a Prova.
Partida.
Tentei
não pensar nas subidas, pensei em concentrar-me apenas em fazer a prova,
aproveitar para tirar umas fotografias e tentar dar o meu melhor. Vou-me
irritando com as pessoas e com as subidas… as pessoas irritam-me porque eu
tento ao máximo respeitar os outros e tenho noção que não é reciproco, que os
outros estão se pouco borrifando para quem quer que exista. Quero eu dizer com
isto que por exemplo, eu tento ao máximo ter atenção de quem vem atrás de mim,
ao seu ritmo, à sua prova, cedendo passagem se for necessário e farto-me de
apanhar pessoas que param no meio do caminho impedindo a passagem aos
restantes, só porque querem aquela foto da praxe, mas não querem perder o seu
lugar… grrrrr… e também há aquelas que percebem que têm pessoas atrás mais
velozes (que muitas vezes até pedem licença) e não facilitam a passagem! Ao
menos nisso sou uma barraqueira, deve ser aquela costela já mais do Norte do
país, é que passo o percurso todo a gritar “Deixem passar!”, “É dos 60 km!!”,
“Cheguem-se à direita!”, “Boa sorte”, “Força!”, pronto já sabem, quando ouvirem
gritos de mulher deste estilo… sou eu!
(mania
de me desviar do tema…)
Estava
controlada e a fazer a prova de forma coerente, fui ultrapassando uns quantos e
lá ia eu, resmungando sempre, mas sempre que vejo subidas, mas dei conta que a
nível de mulheres não me parecia estar mal. Houve ali uma altura que por
instantes pensei que me tinha perdido e era a subir, comecei a fraquejar, mas
vinha uma senhora atrás de mim, já na casa dos 50 anos (ou mais, não querendo
ofender ninguém), que me apanhou e me deu uma força para não vacilar, lá me
aguentei à bronca e prossegui junto dela. Ora era eu que ia à frente, ora era
ela e passinho a passinho íamos avançando.
Saímos
de um trilho e fomos dar a um estradão, sempre a subir, aqui conseguia ver
imensas pessoas, umas já a terminarem a subida, via o cimo do monte, fiz muita
parte a andar, tipo 80% da subida, estava cansada, estava com calor e era a
subir. Do estradão íamos dar a um trilho do lado esquerdo, todo irregular, com pedra e
ainda mais íngreme, custou-me muito esta parte, inclusive tiram-me uma foto
quando estava a subir e é visível o quanto estava cansada e me estava a custar,
mas só pensava que quando chegasse lá a cima a seguir melhorava.

Cheguei
ao ponto de controlo, veio um pequenote ter comigo para dar “baixa” do meu
dorsal e uns metros adiante havia um pequeno abastecimento, bebi apenas água e
segui caminho, após aquela subida ultrapassada sentia-me forte e achava que a
partir dali seria “canja”. A verdade é que quando cheguei ao abastecimento
estava cheia de dores no pé direito, que teima em fazer ferida no mesmo local e
que piora bastante nos trilhos, não sei se porque o terreno é mais irregular e
o pé assenta em pedras, troncos, ramos … faço-me de forte mas aparentemente era
visível porque quando passei o abastecimento alguém do staff me perguntou se
estava bem porque vinha meio manca.

Continuando
o percurso… Efectivamente após o abastecimento melhorou bastante, estávamos no
monte e gradualmente a descer, o piso não era bem regular pelo que cada vez que
o meu pé tocava em algo a dor tornava-se insuportável e começou a ser difícil
desfrutar da corrida, aliás acho que a partir daqui pouco me recordo, lembro-me
que o percurso era realmente mais fácil e que mesmo assim ganhei um pouco de
‘terreno’, estava praticamente sozinha e não via absolutamente ninguém. Só me
recordo de verde, da senhora mais velha que de vez em quando lá nos
ultrapassávamos, eu, ela, eu ela e assim foi até que ela me ganhou e cortou a
meta pouco à minha frente, além disso, recordo-me que após todo o verde
espectacular saímos por um trilho pequenino e que o último 1,5 km, mais coisa
menos coisa, foi feito todo no alcatrão e a subir. Que seca!
Quando
cortei a meta a primeira coisa que fiz (antes de comer, juro!) foi descalçar-me
e tentar solucionar o meu problema, porque tirei os ténis e a pele tinha
saltado e estava em carne viva, azar dos azares não tinha pensos e os chinelos
tocavam precisamente nessa zona.



Ainda
não tinham chegado muitas pessoas, mas das poucas mulheres que encontrei
perguntei logo se tinham algo. NADA. Heis que vi um grupo de bombeiros, talvez
um 6/7, fui ter com eles, meio atrapalhada porque estavam todos a conversar e
eu meio sem jeito visto não querer interromper, mas pronto, assim que me
aproximei captei as atenções e lá questionei se ninguém teria um penso que me
pudesse disponibilizar. Em coro perguntam-me “Um penso? De quais?”, aquela
pergunta ao início não me fez bem sentido, mas eu já só queria tratar do meu pé
pelo que nem me apercebi, olhava para o meu e limitei-me a dizer isso “Pé” e
ouve-se novamente em coro “Ahhh…” e nesse momento lá se deu uma luz e eu
percebi. Oh meus amigos… creio eu, que se fosse de outro tipo de pensos eu não
iria ser tão pouco discreta e perguntar logo a 6/7 caramelos se por acaso não
teriam um penso. Bom, acabei por descobrir que não faz parte do kit primeiros
socorros os pensos rápidos, pelo que me safaram uma compressa com fita adesiva,
mas eu deu-me por contente porque já conseguia usar os meus chinelos.
Mais
aliviada do meu pézinho, fui para perto da meta para esperar o meu papá, passei
antes pela comida e roubei lá umas quantas coisitas (gorda que é gorda…). O velhote ficou em 3º do seu escalão. ADORO!
Sempre uma filha babada!
Não
éramos muitas meninas inscritas, pelo que pela primeira vez fiquei numa posição
mais simpática, mas claro que é uma ilusão, visto a falta de meninas a
participar na prova, mas eu fiquei contente na mesma!
M.