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sábado, 23 de setembro de 2017

10KM DISNEYLAND PARIS - 10KM - 23.09.2017



INTRO
2017 foi a 2ª edição desta prova, o ano passado bem tentei escrever-me mas esgotou em segundos, ainda andei atenta com a expectativa que abrissem mais umas vagas, mas nada. Este ano portanto andei sempre colada ao site deles, para saber precisamente quando eram as inscrições e estar preparadíssima para o desafio de me inscrever. Quando anunciaram a data fiz questão de meter um lembrete no telemóvel e tudo. 
O dia da inscrição chegou, estava excitadissíma, colei ao computador, com tudo preparado... site em baixo, passei mais de 5 horas a fazer refresh à página, por vezes lá funcionava, começava a inscrição, chegava ao número de telefone, drama da vida que o número português não funciona mesmo com o indicativo do país, quando tentava prosseguir, site em baixo... estava furiosa, não acreditava que não ia conseguir outra vez, fui ao Facebook deles, não era a única, tantos mas tantos comentários de pessoas em fúria, mas no meio de 30 havia um que lá dizia "Done!", e eu ficava logo pelos cabelos! Lá informaram dos problemas que estavam a ter e disseram que iam abrir outra vez as inscrições no dia a seguir à mesma hora. Fechei o computador, respirei mil vezes e pensei "Amanhã é um novo dia" com o sorriso mais amarelo que possam imaginar, porque naquele momento não me sentia muito crente. 
Novo dia, nova missão e ...Done! Inscrita! Ignorei o número de telefone português e meti o do meu francês preferido e ignorei tudo o que desse problemas. Estava oficialmente escrita no Challenge da Disney 2017.

A Disneyland é sem sombra de dúvida mágica, sendo tu criança ou não, se conheces grande parte das personagens que ali estão, as histórias e tudo mais, é fácil perderes-te, principalmente pela sensação que te transmite, pelas memórias e alegrias de infância. Ontem fui levantar os dorsais às 21h e a Vila da Disney estava cheia, cheia, cheia... inacreditável, mesmo eu não consegui evitar de entrar nas lojas, ver, sorrir e ainda por cima ainda apanhei os 5km e estive a ver um pouco o pessoal a correr, mascarado, normais, animados, felizes...

A minha prova hoje era às 7h da manhã, gosto muito de correr de manhã, mas normalmente em casa torna a logística mais fácil, desta vez acabei por me levantar pouco antes das 5h da manhã, comi um pãozinho e bebi um café, esperei que os intestinos funcionassem, é sempre o meu maior stress. Nada. NADA. N-A-D-A! Já estava a prever, vai ser precisamente quando começar a corrida, só podia. Enfim... Lá cheguei à Disney perto das 6h30, com uma dor de estômago horrível e estranha, só me apetecia estar curvada, era uma dor persistente e continua, que só me passou faz coisa de 1 hora, depois de almoçar e dormir durante umas boas quase 2 horas.
6h45 estávamos à espera da partida... estava tanto frio que acabei por ficar com o meu corta vento, mas não gosto nada de correr com mil coisas em cima, porque depois o corpo aquece e fico com calores, mas depois não quero andar com as coisas à cintura porque não acho nada confortável e me atrapalha, então acho que acabo por perder um pouco de agilidade, prestação... mas pronto, estavam 8 graus não me sentia mentalmente preparada para me desfazer do meu corta vento. Não foi mau pensado, esperei até às 7h45 para começar a correr, devo dizer que estava impaciente, furiosa, a ficar mal humorada e todo um misto... acordei cedo, muito cedo, às horas que parti já podia estar quase a terminar e ir para casa fazer ó-ó...

Partida! (passados dez mil longos anos...)

Magia. Muita magia.

No início custou a arrancar, as pernas estavam meio congeladas e ali os primeiros passados foram meio estranhos. A partida tardia tem a boa coisa de aqui como eles vão fazendo partidas de aproximadamente 3 em 3 minutos, significa que quando cada grupo parte não se atropelam, por isso lá teve o seu ponto positivo.

2km!

É isso, passou assim, quando me apercebi já estava a passar por um placar a informar que já tínhamos 2km feitos, passaram a correr tão foi a admiração, felicidade. Começas a correr no meio do parque, passas as personagens dos filmes de animação que conheces da tua infância, soltas mil "ahhhhhhh!!!" "uauuuu" "ohhhhhh", as pessoas que trabalham no parque estão lá a fazer claque, a gritar, com luvas do Mickey para te Dar mais 5, passas pelo Castelo da Bela Adormecida, pela nave do Star Wars... não tem como não estares perdida a apreciar a vista de tal forma que os primeiros quilómetros passam a correr!






Começámos a avistar filas longas de pessoas, não entendi, seria para ir à casa de banho? mas filas deste tamanho, foi quando em comecei a aperceber que as personagens dos filmes andavam pelo parque e eram filas para tirar fotos. Não fui para nenhuma fila, mas parei em todas as personagens que me cruzei e tirei fotos. 

Podem ver a minha corrida aqui, gosto muito desta aplicação que trabalha em paralelo com o Strava:











Valeu a pena pela experiência, claro que há coisa que não funcionaram muito bem e que eu aponto o dedo, mas amanhã há mais, e na aventura de amanhã conto-vos mais um bocadinho, por hoje está bom e vou fazer questão de me alimentar com massas e tentar deitar cedo, já tenho 80% das coisas preparadas para amanhã, só preciso de muita força !!!

M.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

10KM L'ÉQUIPE - 10KM - 11.06.2017



Uma corridinha oficial no último dia de férias antes de arrancar para Portugal!

Why not?!

Já vinha cansada, já vinha dorida, a minha perna direita acusava uma lesão mas eu casmurra, parva e tudo mais,queria fazer a corrida porque sim, fiz.

Aiiii Paris... Tu sabes que vou para aí e ainda brincas comigo.
2 meses a viver em Paris e um frio de rachar, ok, era pleno Inverno, mas já fui lá por outras diversas situações e foi sempre assim frio, cinzento, no máximo ameno.

Calor! Calor! Muito calor! Que brincadeira.

Multidão. Muita gente mesmo, nunca pensei. Depois calor, pessoas, mais calor ainda, estava a começar a ficar impaciente, ainda por cima estava com a neura da perna, depois o calor, a minha cabeça já não parava.

Muito atraso, sendo que me coloco sempre nos que partem +60, até darem partida ao meu grupo demora horas, se não me engano partimos perto das 11 horas, debaixo de sol (neura!).

Partida!

Lá fui eu. Ao meu ritmo, com a cabeça a mil, com telemóvel a contar (de férias não tinha como actualizar o relógio e a aplicação no telemóvel desde que foi actualizada é manhosa e nem sempre me actualiza o relógio pelo que por via das dúvidas fui logo de telemóvel).

Sentia-me pesada, a dor da perna veio logo, nem foi preciso correr muito, foi certinha. Comecei a sentir-me pesada, cheia de calor, com a cabeça focada na dor, sentia-me pesada e a correr devagar, estava a ficar chateada comigo mesma, estava a ficar desmotivada, estava a ficar estoirada... estava a ficar tudo bolas!

Não olhei quase para o caminho, pouco me lembro, lembro-me da Place de Madeleine e que pouco antes disso ouvi música brasileira, queria sorrir, bater palmas, festejar, mas sentia-me tão pesada que deixei-me ir na minha, com medo que qualquer movimento que não fizesse parte de corrida me deixasse KO, então foquei em correr, não fazer mais nada, tirando nos abastecimentos tirar uma garrafa de água e eu odeio correr com coisas na mão, mas nesta corrida andei com uma garrafinha sempre, dando golinhos pequeninos ao longo do percurso, hidratando os lábios que é algo que me deixa enervada, a secura na boca/lábios. Lembro-me de passar o Jardin des Tuileries, mas apenas quando já estávamos a voltar para trás e recordo-me também que o fim foi sempre junto ao rio Sena, e era eu, a minha garrafinha e o T., que andava lá tranquilo e fresquinho da vida, raça do miúdo e da sua resistência.

Houve sempre imensas pessoas a assistir, na zona final então era absurdo, muitas pessoas na rua mesmo, mas eu estava sem energias para analisar a prova e espaço assim com tanta atenção.

Lá comecei a sair de perto do rio, uma mini subida, tipo 2 metros mas pareceu-me a Serra da Estrela naquela altura, a minha perna doía tanto, cada vez me sentia mais a arrastar... mas cheguei, era já ali o final.

Meta. Finalmente.

Engraçado, média de 6:13m/km, foram só os meus melhores 10 km, ainda bem que me sentia pesada e que a minha perna estava toda amassada. Menos mal, deu para ganhar uma motivação extra e sentir-me feliz !






Curiosidade... Heis que na meta me cruzo com a minha futura manager. Mundo pequeno. E uma M. envergonhada.

M.


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

TRILHO DAS LAMPAS - 20KM - 13.05.2017


Nervos! Nervos! Nervos!

Vai-se lá saber porquê, mas queria imenso fazer este trilho, não sei se por ser tão pertinho de casa, se por todos os anos ouvir o pai a falar dele (a prova que faz desde a 1ª edição), mas a cabeça dizia que sim e assim foi, de coração atrás!

O Trilho das Lampas acontece ao sábado ao final do dia e consoante a velocidade de cada um, ainda se pode ver um pôr-do-sol espectacular na praia da Samarra (que claramente não foi o meu caso).

Estava exclusivamente nervosa por ser o meu trilho oficial mais longo e ainda por cima com grande parte percorrida durante a noite, conhecendo já eu o percurso e tendo perfeita noção de que certas zonas à noite iam ser bem complicadas.

A grande novidade e muito boa é que… o pai disse que me ia acompanhar! Tive sentimentos mistos, super feliz por mim que ia com a melhor companhia possível e que ainda por cima conhece super bem a zona o que me dava segurança a triplicar, mas, por outro lado, o meu pai faz esta prova desde a 1ª edição e pela primeira vez ia fazer uma prova de treta porque eu meti na cabeça que ia fazer esta prova. Meu pai! Podia lá eu pedir melhor… e vais fazer-me tantas, mas tanta falta que nem me cabe no peito a dor que sinto…


Sem pressas, eu e o pai ficámos no fim, tentando assim evitar as pessoas que vão com a ‘gula’ e que atropelam os demais, eu sabia perfeitamente que não ia para lá para ganhar, pelo que partir no fim, no meio ou no início, era-me completamente irrelevante, eu só queria terminar e de preferência abaixo das 3 horas.

PROVA

O início tem uma voltinha meio tola, no jardim principal de São João das Lampas em forma de ‘S’ e depois passa-se para o outro lado da estrada em direcção à costa e aos trilhos.

A primeira parte do percurso, eu diria que é a mais fácil, descemos muito mais no início da prova, ou seja, no início andava eu feliz da vida, mas como partimos no final apanhámos muitas pessoas pelo caminho com mais dificuldades do que eu e com mais mariquices, querendo eu dizer com isto, que apesar de ser um zero à esquerda e super coxa (das duas pernas atenção!) não sou nada comichosa com a sujidade, com meter os pés na lama ou água e por aí fora… o que significa que se não encontro uma solução menos agressiva, não perco tempo e faço o que tenho a fazer.

Primeiro obstáculo: água, um mini riozinho e ficámos logo parados, sim, porque depois são caminhos estreitos, o que significa que enquanto os da frente não passarem, tu não vais a lado nenhum e ficamos todos ali encalhados. Depois do obstáculo de água veio logo uma subida, o que acabou por nos empatar imenso, depois do obstáculos tínhamos ficado todos muito em cima uns dos outros, sem grandes margens e depois eramos tantas pessoas, em filinha, a andar, a avançar devagarinho, até dava para socializar e falar de peúgas, coser peúgas e sei lá eu mais o quê, mas a rapariga que ia à nossa frente falava sobre esse dilema da vida dela, ela e as peúgas, claro o palhação do meu pai achou por bem manifestar a sua teoria da peúguice (inventada à pressão) que só visto (ouvido!)…

Não consigo ser específica quanto às zonas por onde andava, o meu sentido de orientação é péssimo, pelo que as minhas descrições sobre as minhas provas em trilhos é deveras hilariante, baseando-se em caminhos, verde, montanha, árvores, arbustos, verde, montanha, estreito, subidas,… Com base no descrito anteriormente, lá estávamos nós num caminho estreito, meio enlameado, entre arbustos e em frente uma poça de lama com proporções assim grandinhas, a nossa única hipótese era um caminho à direita, muito estreitinho, a ser feito com um pé à frente do outro e devagarinho. Era a minha vez. Seguia o pai passo a passo, devagarinho. Não é que a rapariga atrás de mim se agarra às minhas ancas, claro, desequilibrei-me e fugiu-me o pé e eu caí para o lado direito onde me equilibrei mais ou menos com a mão e molhando apenas a perna e o braço do lado direito (percebi no dia a seguir que tinha caído de tal forma com a mão que espetei qualquer coisa entre a unha e dedo e acabei por ficar com a unha negra), para minha surpresa a rapariga diz “Ah era par te ajudar, pelos vistos foi má ideia…”, não quero tecer comentários, ou pelo menos muitos, principalmente porque tenho a vaga ideia que ela é que se desequilibrou e acabou por se agarrar a mim, eu que não estava de todo à espera … pumba! Charco.

A partir daqui foi mais do mesmo, subidas, descidas e mesmo nas descidas tínhamos que ir devagar ou corríamos o risco de ir a rebolar lá para baixo. As subidas para mim foram sempre muito custosas, a asma continua a vencer-me muito aqui e não sei como controlar, mesmo a fazê-las a andar (com um bom ritmo) fico completamente estafada e com falta de ar, a garganta a saber a sangue, o corpo super pesado, os pulmões apertadíssimos e a sentir-me uma porcaria.

O pôr-do-sol. Seria se nesta altura já tivesse passado a praia da Samarra e já tivesse subido as suas arribas, a partir daí o percurso já não era tão técnico e assim o mais difícil tinha sido feito com a luz do dia. Claro que isso não aconteceu, não ao ritmo das minhas pernas, quando se deu o pôr-do-sol ainda nem estava a descer para a praia, estava a terminar um subida e ainda me faltava um pouco para começar a descer para a praia.


A chegada à praia para mim já representava uma vitória, significava para mim um pouco mais do que metade do percurso feito. Quando cheguei à praia sorria, para mim e por mim, mas pouco tempo nos demoramos lá, ainda havia uma réstia de luz e o pai queria ao máximo aproveitá-la para subir as arribas da praia, que ainda eram lixadas. Lá em cima havia um abastecimento, só bebi água, o pai disse para comer, não me apetecia, parecia que ainda estava a arrotar o almoço tardio.  


Nestas descidas das arribas, houve uma que demos com alguém lesionado, que estava caído entre as rochas e todas as pessoas assobiavam, aproveitavam os apitos que tinham para chamar a atenção (aliás acho que servem exactamente para estas situações) e ninguém do staff se mexia. A uns 3 metros de mim estava um senhor da organização e ia embora, começámos todos a gritar por ele, até que lá veio ter connosco. Tentámos explicar a situação, ainda não tínhamos visto a pessoa, mas entendemos quase imediatamente o que se estava a passar, alguém tinha caído e precisava de assistência. Começámos a descer e o senhor chama-nos a dizer para confirmarmos se era verdade… Depois de ouvir mil pessoas a chamarem por ele e a pedir assistência, estava a pedir-nos para descer tudo e depois o que? voltar a subir? não tenho comentários, deviam estar preparados para estas situações, aliás, nem sei como iam socorrer a pessoa porque ali só de helicóptero…

Quando finalmente começámos a dar a volta, por dentro, sem virmos encostadinhos à costa, já eu ia mais para lá do que para cá, estava cansada, sentia-me amassada, mais facilmente cedia nas subidas e depois, deixem-me que vos diga que não fui feita para as lanternas na cabeça! Normalmente é uma comichão louca, não dá, desta vez para precaver essa situação levei aqueles lenço/fita (nem sei como é que se chamam, nunca tinha pensado sobre o assunto) mas nem assim, ora puxava para a frente, ora empurrava para trás, depois a minha luz era muito fraquinha, fartei-me de tropeçar, tinha que andar colada ao pai para conseguir ver o chão, mas depois já estava tão cansada que o perdia em segundos… coitado! Tem uma santa paciência e veio sempre a “puxar” por mim.

Quando largámos a parte dos trilhos e finalmente vi alcatrão só pensava “Estou a chegar. Estou a chegar.”, devia estar a 1 km da meta mas pareceu-me interminável, o pai continuava a “puxar” por mim e lá ia eu, meio em jeito “encantado” pois forças eram nenhumas.




Meta!!! 2h43m19s, menos de 3 horas. Feito!






"Agora só quero ir comer a minha sopinha, tomar uma banhoca e não me mexer durante uma semana!"

M.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

MONTEJUNTO TRAIL - 9KM - 23.04.2017


O pai tem-me convencido e lá vou eu para estes mini trilhos, ele ganha companhia na viagem e depois a troca de ideias sobre os trilhos, ainda que da minha parte sejam mais lamúrias… Lá nos inscrevemos a mais um, assim mesmo em cima da hora.

A viagem não era muito longa, pelo que se fez bastante bem.

O pai é o homem das corridas e apesar de negar que não fala pelos cotovelos e que não é palhação que nem eu, É! Ora claro, de 10 em 10 minutos lá havia alguém a chamar por ele.

O pai faz sempre os trilhos de distâncias maiores, à conta disso começa sempre primeiro que eu, pelo que fico sempre uns minutos abandonada e sem jeito e como sempre, dão-me as vontades de fazer xixi mesmo antes da prova, que se for preciso nem faço nada, mas é sempre a mesma neura!

Devido ai (GRANDE) atraso a escrever sobre esta corrida, confesso que já não me recordo de forma minuciosa da prova e como nessa altura andei a fazer provas semana sim, semana sim, semana não, tenho ideia que já as confundo um pouco…

Vá, vá… a Prova.

Partida.

Tentei não pensar nas subidas, pensei em concentrar-me apenas em fazer a prova, aproveitar para tirar umas fotografias e tentar dar o meu melhor. Vou-me irritando com as pessoas e com as subidas… as pessoas irritam-me porque eu tento ao máximo respeitar os outros e tenho noção que não é reciproco, que os outros estão se pouco borrifando para quem quer que exista. Quero eu dizer com isto que por exemplo, eu tento ao máximo ter atenção de quem vem atrás de mim, ao seu ritmo, à sua prova, cedendo passagem se for necessário e farto-me de apanhar pessoas que param no meio do caminho impedindo a passagem aos restantes, só porque querem aquela foto da praxe, mas não querem perder o seu lugar… grrrrr… e também há aquelas que percebem que têm pessoas atrás mais velozes (que muitas vezes até pedem licença) e não facilitam a passagem! Ao menos nisso sou uma barraqueira, deve ser aquela costela já mais do Norte do país, é que passo o percurso todo a gritar “Deixem passar!”, “É dos 60 km!!”, “Cheguem-se à direita!”, “Boa sorte”, “Força!”, pronto já sabem, quando ouvirem gritos de mulher deste estilo… sou eu!

(mania de me desviar do tema…)

Estava controlada e a fazer a prova de forma coerente, fui ultrapassando uns quantos e lá ia eu, resmungando sempre, mas sempre que vejo subidas, mas dei conta que a nível de mulheres não me parecia estar mal. Houve ali uma altura que por instantes pensei que me tinha perdido e era a subir, comecei a fraquejar, mas vinha uma senhora atrás de mim, já na casa dos 50 anos (ou mais, não querendo ofender ninguém), que me apanhou e me deu uma força para não vacilar, lá me aguentei à bronca e prossegui junto dela. Ora era eu que ia à frente, ora era ela e passinho a passinho íamos avançando.

Saímos de um trilho e fomos dar a um estradão, sempre a subir, aqui conseguia ver imensas pessoas, umas já a terminarem a subida, via o cimo do monte, fiz muita parte a andar, tipo 80% da subida, estava cansada, estava com calor e era a subir. Do estradão íamos dar a um trilho do lado esquerdo, todo irregular, com pedra e ainda mais íngreme, custou-me muito esta parte, inclusive tiram-me uma foto quando estava a subir e é visível o quanto estava cansada e me estava a custar, mas só pensava que quando chegasse lá a cima a seguir melhorava.


Cheguei ao ponto de controlo, veio um pequenote ter comigo para dar “baixa” do meu dorsal e uns metros adiante havia um pequeno abastecimento, bebi apenas água e segui caminho, após aquela subida ultrapassada sentia-me forte e achava que a partir dali seria “canja”. A verdade é que quando cheguei ao abastecimento estava cheia de dores no pé direito, que teima em fazer ferida no mesmo local e que piora bastante nos trilhos, não sei se porque o terreno é mais irregular e o pé assenta em pedras, troncos, ramos … faço-me de forte mas aparentemente era visível porque quando passei o abastecimento alguém do staff me perguntou se estava bem porque vinha meio manca.


Continuando o percurso… Efectivamente após o abastecimento melhorou bastante, estávamos no monte e gradualmente a descer, o piso não era bem regular pelo que cada vez que o meu pé tocava em algo a dor tornava-se insuportável e começou a ser difícil desfrutar da corrida, aliás acho que a partir daqui pouco me recordo, lembro-me que o percurso era realmente mais fácil e que mesmo assim ganhei um pouco de ‘terreno’, estava praticamente sozinha e não via absolutamente ninguém. Só me recordo de verde, da senhora mais velha que de vez em quando lá nos ultrapassávamos, eu, ela, eu ela e assim foi até que ela me ganhou e cortou a meta pouco à minha frente, além disso, recordo-me que após todo o verde espectacular saímos por um trilho pequenino e que o último 1,5 km, mais coisa menos coisa, foi feito todo no alcatrão e a subir. Que seca!

Quando cortei a meta a primeira coisa que fiz (antes de comer, juro!) foi descalçar-me e tentar solucionar o meu problema, porque tirei os ténis e a pele tinha saltado e estava em carne viva, azar dos azares não tinha pensos e os chinelos tocavam precisamente nessa zona.






Ainda não tinham chegado muitas pessoas, mas das poucas mulheres que encontrei perguntei logo se tinham algo. NADA. Heis que vi um grupo de bombeiros, talvez um 6/7, fui ter com eles, meio atrapalhada porque estavam todos a conversar e eu meio sem jeito visto não querer interromper, mas pronto, assim que me aproximei captei as atenções e lá questionei se ninguém teria um penso que me pudesse disponibilizar. Em coro perguntam-me “Um penso? De quais?”, aquela pergunta ao início não me fez bem sentido, mas eu já só queria tratar do meu pé pelo que nem me apercebi, olhava para o meu e limitei-me a dizer isso “Pé” e ouve-se novamente em coro “Ahhh…” e nesse momento lá se deu uma luz e eu percebi. Oh meus amigos… creio eu, que se fosse de outro tipo de pensos eu não iria ser tão pouco discreta e perguntar logo a 6/7 caramelos se por acaso não teriam um penso. Bom, acabei por descobrir que não faz parte do kit primeiros socorros os pensos rápidos, pelo que me safaram uma compressa com fita adesiva, mas eu deu-me por contente porque já conseguia usar os meus chinelos.

Mais aliviada do meu pézinho, fui para perto da meta para esperar o meu papá, passei antes pela comida e roubei lá umas quantas coisitas (gorda que é gorda…). O velhote ficou em 3º do seu escalão. ADORO! Sempre uma filha babada!



Não éramos muitas meninas inscritas, pelo que pela primeira vez fiquei numa posição mais simpática, mas claro que é uma ilusão, visto a falta de meninas a participar na prova, mas eu fiquei contente na mesma!

M.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

CORUCHE CORK TRAIL – 13K – 09.04.2017


O primeiro Trail que fiz foi bastante doloroso para a minha pessoa, por outro lado deu-me um enorme prazer, percorrer distância sem dar prioridade a correr sem parar, mas simplesmente fazê-lo!
Foi das coisas que sempre me custou muito a lidar, continuo na luta comigo mesma nesse sentido, desvalorizando-me se páro nem que seja por 1 minuto, como se fosse desonesto e deixasse de ter importância o facto de ter terminado 10k, 15k ou 20k… Os trilhos têm-me ajudado muito a mudar isso na minha cabeça, primeiro porque tenho visto e conhecido pessoas que fazem trilhos e me dizem que é normal fazer partes a andar, conheci inclusive uma asmática que faz bastantes partes a andar e ainda assim é capaz de andar ai a fazer trilhos de 40k, mesmo que precise de demorar 7 ou 8 horas.
Dito tudo isto, lá fui eu para uma nova aventura com o prometido de almoçar em Almeirim para uma típica sopa da pedra. Eu faço os trilhos curtos e o pai faz os médios ou longos, assim como eu sou uma lesma o trilho é mais curto e ele não tem que esperar por mim e eu normalmente também não espero muito tempo por ele.

Como sempre, o primeiro quilómetro parece-me sempre incrível e que a altimetria vai ser nula. Primeira barreira. Uma subida absurda de areia! Nem queria acreditar, quase parecia um muro, para não falar que sendo areia subir requer o dobro do esforço tendo em conta que me vou enterrando.
Passado o primeiro obstáculo, lá fui ganhando força para continuar a prova, uns quantos altos e baixos mas eu tentei dar o meu melhor, parei muitas vezes, havia subidas parvas. Não gosto de subidas. Com o decorrer da prova fui recuperando e lá ultrapassei umas quantas pessoas, por dada altura estava sozinha, quando chegava a zonas amplas onde podia ver metros do percurso, visualizava outros, mas se estivesse no meio dos trilhos com árvores e vegetação estava completamente abandonada.

Dei com uma zona pantanosa, tinha recuperado bastante mas aquela parte atrapalhou-me, tentei mandar-me mais para o lado direito onde o chão estava mais firme, no início safei-me, entretanto quando coloco novamente o pé no chão enterrei-me em lama e fiquei presa nas silvas, parte da t-shirt e um pouco do braço, nisto outros corredores começaram a “apanhar-me”, mal me safei dessas silvas, continuei pela lama, meio desequilibrada e quando chego a terra firme,… areia… Ou seja, toda a lama que trazia nas sapatilhas ficou versão croquete com a areia, da subida… Sempre uma animação estes trilhos.

Controlo do chip ao passar numa casinha de madeira e depois da experiência em Monsaraz gritei o número do meu dorsal tipo 3 vezes, do outro lado da casinha havia um chuveiro para nos refrescarmos, molhei as mãos, braços e a cara, sabe-me sempre nesses sítios do corpo.
Continuei o meu caminho e por esta altura começava a ficar cansada e entediada, mas o percurso decidiu tornar-se mais técnico e começávamos a amontoar-nos outra vez, já não ia só, tinha sempre alguém à minha frente e alguém à minha perna.

(obrigado ao autor da foto)

Multidão! Parados! Mas que raio… Era uma parte técnica, uma descida que aparentava ser complicada, à minha frente torciam narizes, as miúdas não queriam… Estava a ficar assustada. Era mais drama do que outra coisa, sim era mais técnico mas havia sempre um local para por o pé. Continuando. Mas uma descida aqui outra ali. Um troço mais manhoso por não ter grande margem de manobra ou vai-se lá parar abaixo, e heis que um senhor do staff/fotografo dá força à malta, que não há anda a temer e ninguém até á data caiu.

Pronto! Caí!

Não posso ouvir nada, tive logo que espalhar charme!
Culpo o senhor do staff só para que saibam.

Não via hora de acabar, estava cansada, estava imenso calor,  cruzei o último abastecimento e limitei-me a mandar um copo de água para a cara e segui, já só queria acabar. Nesta altura tive sempre uma companheira, não sei o nome dela, estava de azul e andávamos ali sempre à roda uma da outra, sofríamos juntas nas subidas que pensávamos já terem acabado, corríamos na mesma altura e já trocávamos uma ou outra palavra de encorajamento.

Subidinha linda para acabar em grande estilo, só que eu dispensava essa entrada em grande estilo, podia muito bem ser a direito ou melhor ainda a descer! Só me apetecia parar, mas depois pensava Vá são 100 metros mostra lá como és capaz! Assim foi! 12,6 km!






Queria ir tomar banho, queria comer, queria descalçar-me… mas o pai podia estar a chegar. Petisquei umas coisitas que eles tinham para lá, saquei uma garrafa de água e fui sentar-me lá no passeio junto à meta!

Uma vez mais lá estava eu pronta para lhe tirar umas fotos! Grande pai!


M.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

CORRIDA SEMPRE MULHER – 5K – 02.04.2017

Não costumo ir a estas provas, não sei porque, nada contra, mas acho que foi a primeira que vez que me inscrevi numa corrida de ‘mulheres’ e foi porque uma amiga me persuadiu, iríamos juntas e pronto, eram só 5km, pertinho, tranquilo.
Ela não foi! Andei perdida ainda pelas zonas dela, Lisboa não é o meu forte para conduzir, não conheço nada, não conheço caminhos nenhuns, bom enfim… toda uma aventura. Ora, eu ligava e nada, eu esperava no sítio combinado e nada, pensei em não ir, tinha-me inscrito por ela e ela não dava sinais de vida, então tudo bem ia voltar para o meu lar, doce lar. Não! Ora, mas desde quando é que eu deixo de ir a uma prova porque vou sozinha?! Vamos!

Estacionei perto do metro do Alto dos Moinhos, tinha o passe, uma moedinha de €2 não fosse ser necessário, telemóvel, chaves do carro, pernas. Tudo Ok! Faltavam 30 minutos para a prova começar e eu ainda não estava lá, já estava em neura máxima, como de costume, toda uma agitação na minha pessoa nestes momentos. Cheguei a tempo claro, só eu é que faço todo o filme antes dos momentos.

Toda uma avenida minada de cor-de-rosa, lamento não fazer parte da maioria, mas o cor-de-rosa não é uma cor que me faça feliz. Estava quase na linha da frente, também não é normal, costumo estar mais para trás para evitar atrapalhar os outros, mas tudo bem, estava sozinha, ia tentar curtir a prova e despachar-me para evitar as confusões do metros e chegar a casa descansada.

PARTIDA!

Ok, comecei bem, controlar a respiração, esta parte é toda a subir. Aguentar esta parte é o principal. Começaram a vir as contas de cabeça, acho que já tinha referido noutro post que quando corro penso em mil coisas, receitas para fazer, contas para quantos quilómetros faltam, contas para calcular o ritmo e os tempos que posso fazer, pois já estava nessa fase e ainda agora tinha começado. A corrida é ida e volta, ou seja os primeiros 2,5 quilómetros serão sempre a subir e depois é tudo a descer… Boa! Estou a fazer 6 e pouco minutos por quilómetros. E estou a subir. Controla a respiração! 6:17min/km! 6:13 min/km! 6:07min/km! 6:20min/km! Aguenta Mafalda! Já estava a chegar à zona do Saldanha, pior parte já estava feita, tinha começado a baixar a velocidade, bolas! Ia começar a descer, mas bolas tinha mais uma mini subidinha, não sei se os meus pulmões iam aguentar aquilo, mas tinha que ser! Lá continuei, não parei para beber água, fugia do sol sempre que podia, mesmo assim entre os prédios ainda apanhei umas boas sombras o que foi uma sorte pois estava a ficar um calor parvo. Estava a começar a parte a descer. 6:13, 6:12, 6:11… Boa, boa Mafalda! Continua! 6:01, 6:00, 5:59, 5:58… Estava a ganhar velocidade, tinha que continuar, por este andar ia terminar os 5km abaixo de 30 minutos, ia ser o meu recorde pessoal, ia ter uma corrida em que o ritmo ia marcar abaixo de 6:00 min/km. O relógio já marcava ritmo abaixo de 5:30 min/km, começava a sentir-me estafada, os meus pulmões estavam a latejar, a minha garganta sabia a sangue, começava a ouvir a minha pieira, olhei para o meu relógio e chegou a marcar ritmo de 4:53 min/km, estava incrédula, mas compreendia a pieira, a asma a tentar vencer-me à força e quando verifiquei novamente o relógio estava a reduzir o ritmo, estava a bater outra vez nos 5 minutos e outros tantos segundos… Não! Já estava a ver a meta, não ia desistir agora, entretanto umas poucas mulheres passaram-me e eu tentei ao máximo recuperar, faltava menos de 1 quilómetro, um último esforço e batia um recorde pessoal. Não fui aos 4 minutos outra vez, mas não passei dos 6 minutos e cruzei a meta com uma média de 5:57 min/km, que para uns quantos é ridícula para mim foi uma vitória e cheguei completamente de rastos e ofegante.

Estava sozinha, acabei a prova, peguei na água que me deram no final e ia embora. Depois pensei, calma, vim sozinha mas acabei de correr, está um tempo incrível, deram-me uma barrita e um pacote de leite, vou respirar e descansar um pouco antes de ir para casa. Lá me encostei a um muro, perto do metro, à sombra e com um balão que me ofereceram e descontraidamente lá mandei a minha barrita abaixo!

Consegui socializar com duas senhoras de idade, muito simpáticas e brincalhonas e cheias de garra para continuarem a fazer estas actividades ainda que muito vagarosamente! Ficámos de nos encontrar para o ano, quem sabe…



M.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

MONSARAZ NATUR TRAIL 2017 – 10K – 26 MARÇO 2017

Fazia um tempão que não corria pelos Trilhos, se já sou uma coxa em estrada vocês conseguem adivinhar como a coisa se dá nos trilhos, para não referir que sou uma trapalhona e tropeço quase sozinha.

Não sei como surgiu, talvez por andarmos a tentar persuadir o meu irmão a fazer desporto, o mínimo possível e o que lhe tem calhado é fazer uma ou outra corrida connosco… entretanto entre o vai - não vai, fomos!

Passámos lá o dia de sábado, demos uma voltinha por Évora e seguimos para Monsaraz onde demos uma volta pelo Castelo, que devo confirmar que tem uma vista incrível e fomos à procura do local para levantar os dorsais. Gosto muito da tshirt, verde e com o meu nome estampado e deram-nos também um porta-dorsais com o meu nome e número de dorsal também estampado, gostei, mas sou ‘gaja’ é normal.

Ora, dia da prova, dia de aniversário do meu irmão, primeira prova oficial do meu irmão… não aconteceu. O miúdo tinha começado a fazer as suas pequenas primeiras corridas fazia uma semana, pouco mais, ora chegou a véspera da prova e ele informa que está cheio de dores no joelho. Não o iríamos forçar, não seria benéfico em nenhum sentido, mas não deixou de ser uma pena.

A coisa prometia chuva, e não era pouca, de início a coisa até parecia estar a dar-se, chuviscou um pouco durante o aquecimento, as provas maiores arrancaram e entretanto lá fomos nós.
Comecei bem, achei que a altimetria teria sido exagerada, óbvio ao quilómetro 1 já ia tudo a andar, uma subida enorme, sob chuva e piso escorregadio, naquelas pedras de xisto (xisto?!)… Podia dizer que a coisa tinha melhorado, mas não, as subidas foram muitas, a chuva era desconfortável, as descidas tinham que ser feitas com especial atenção por causa da chuva, ainda fui de rabo ao chão em algumas mas nada que não se aguente.

Os metros antes do abastecimento foram uma seca, decidiram criar um estilo de obstáculo, por mim tudo bem, mas não foi claramente bem previsto, ora ficámos certa de 15 minutos totalmente parados, para que um a um lá fizesse o obstáculo. Já eu tremia, com a minha falta de força de braços, o que seria, ainda ia eu fazer mais trânsito… Heis que vejo a temível coisa! Era uma subida por uma tábua de madeira, que tinha alguns relevos para o pé ter onde se segurar e ainda o auxílio de uma corda para subir, não fui claramente aquela gaja incrível que faz tudo com uma perna às costas, com execução e movimentos espectaculares e merecedores de público, mas por favor, demorei 5 segundos… Não percebi o drama e o porquê de 15 minutos de espera onde se acumulavam os diferentes grupos e se perdia a vantagem ganha até ao momento.

O resto da prova foi igual para mim, cinzento, seria a minha descrição. Cinzento o céu, Cinzento o meu cérebro, Cinzento o chão… Tudo Cinzento.

O tempo continuou no mesmo registo, de chuva, frio, escuro e as subidas continuavam a não ajudar a façanha de fazer o meu primeiro Trilho oficial, certamente o meu treino não ajudou a tornar a coisa mais agradável, mas fui porque me faz bem e feliz (talvez não no momento, mas depois).

Nem quis acreditar quando chegámos, estava cansada e um tanto ou quanto deprimida, agora só queria esperar pela chegada do meu pai, do Trilho de 22km, dar-lhe força quando chegasse e tirar-lhe umas boas fotos, gosto muito de conseguir tirar-lhe fotos à chegada!

Lá chegou! Sempre que grito por ele, tenho direito a um sorriso de uma ponta à outra, mas eu tinha que ter saído a alguém, ainda bem que foi a este cromo a quem chamo de pai!

A medalha era muito gira, feita em madeira, achei muito original e das mais giras que tenho:



Mais um obstáculo ultrapassado e ainda bem que o meu irmão não foi, acho que se ia desmontar ao fim de uns metros.



M.


P.S. – Como o tempo não estava favorável levei um impermeável, à chegada nem me recordei da questão do dorsal à vista e essas coisas todas que eles chamam à atenção, logo não me contabilizaram nos resultados… Questiono-me se um mero impermeável fará com que o chip também não consiga ser lido….?!

quinta-feira, 25 de maio de 2017

MEIA MARATONA DE LISBOA 2017 - 21K - 19/03/2017

[Começo por dar uma breve nota referente ao severo atraso para as publicações que vão começar a aparecer, estive desligada daqui, mas mais vale tarde do que nunca e... o blog é meu e as publicações seguintes fazem sentido nele e para mim]

3a feita!

Nem sei por onde começar... teve todo um início desastroso como um final, no meio a coisa até estava a correr bem, mas para que não me entusiasmasse e fosse pretensiosa... "Vai buscar!".

O início deu-se obviamente com o caminho até à partida, apanhar o dito comboio em Campolide. 
Uma palavra : catástrofe!
Ora falhei uns 3 comboios, não tenho outra forma de explicar, nem um dedinho era possível colocar naquele comboio.
Bom, ao quarto lá fiquei num lugar estratégico, mesmo em frente à porta e seria das primeiras a entrar, conforme entro fui atropelada por um carrinho de bebé, 2 vezes, ora como os queridos papás acharam que o carro não estava a entrar toca de fazer força e empurrar e a mer#@ do carro a dar-me mesmo ali nas canelas, até que lá soltei um grunhido e fiz uma cara nada amigável e os queridos lá entenderam, não sei.... 

Lá chegamos à paragem e foi toda uma peregrinação, claro que depois é tudo muito engraçado porque para descer para a ponte só dá pela laterais e cria-se um amontoado de pessoas que à primeira vista dá a entender que não anda.

Por esta altura comecei a desesperar com o xixi. Prossegui até à minha Zona, já tinha avistado umas quantas wc do lado da Mini as minhas não estariam longe, mas o certo é que não havia sinal delas, por instantes passei-me e irritei-me mas lá avistei 1, 2, 3, 4 e ... 4. Morri a rir! 4 wc para todo um mundo. Obviamente meti-me na fila e tinha só tipo 30 pessoas à minha frente, ainda aguardei um tempo considerável até olhar para o relógio e ver 15 minutos para a partida. Ignorei a situação e fui ao mato, 10.000 pessoas devem ter visto o meu rabiosque mas eu estava feliz e aliviada, por isso pouco me importava.

Como podem imaginar a linha da partida tem milhões de pessoas, coladinhas umas às outras, todo um calor humano a juntar ao dia de sol espetacular que se estava a pôr. Ia correr nas horas de mais calor, uiii e o que eu me dou bem com o calor para correr.

Partida!
Muitos atropelamentos, muitos encostos, muita gente parva, desculpem a manifestação pouco amigável mas no meio de muita gente boa também há muita gente parva e com zero respeito.
Ora, pisaram-me por trás, cuspiram-me para dentro dos ténis (já me bastava ter feito duas meias a chover a potes, agora a chapinhar porque a moça do lado não sabia cuspir a água para outro lado), levei empurrões, todas aquelas coisas giras que advêm de corridas desta amplitude.

No início durante a fase da ponte (depois de se fazer o 1º quilómetro e começar a correr mais à vontade) a coisa estava a dar-se, ia melhorar o meu tempo, estava a sentir-me bem, fiz 6km abaixo do que costumo fazer, saímos da ponte, demos uma voltinha ali no cais para seguir para a marginal e estava contente, continuava a fazer um tempo inferior ao normal, já tinha 8km, só pensava em como o pai ia ficar orgulhoso, ainda para mais no dia do pai.

O calor apertava, eu continuava a dar o meu máximo e começaram a vir as dores de pernas, burra! então claro a puxar mais do que era normal para mim, o calor tornava-se insuportável, parei em todos os abastecimentos, mandava uma garrafa de água pela cabeça abaixo, molhava bem a cara e os braços, dava sempre uns golinhos e fazia questão de deixar os lábios bem molhados porque normalmente corridas muito longas  deixam-me a boca seca e os lábios começam a colar-se.

A partir daqui as coisas já não estavam a ser maravilhosas e eu não largava o relógio a controlar o ritmo. Ia gradualmente baixando a velocidade e a pensar que já não ia ser um tempo perfeito para mostrar ao pai, as pernas já me estavam a doer e o calor... lá está, acho que comecei acima de tudo a quebrar psicologicamente. 

Heis que ao quilómetro 14 alguém se cola ao mim. Fiz cara esquisita, olhei de lado, reconheci a roupa e jeito de correr... Paizão!!! Veio acompanhar-me para terminar a prova, mas naquela altura já me sentia tão rota, ainda tentei dizer umas quantas coisas e ele obviamente mandou-me calar e focar na corrida.

Não havia hipótese. Parei em todos os abastecimentos, mas todos! Precisava tanto de água na minha vida. E quando digo parei é mesmo, parei. Bebia, molhava-me enquanto andava e não corria. A partir daí ia correndo 2km andava 100m e assim até ao fim, baixei exponencialmente o ritmo e a minha motivação desvaneceu. Senti-me triste porque iniciei a prova de uma forma tão boa que agora terminar de forma pior que as outras duas deixava-me de rastos...

O pai lá esteve, todo aquele tempo a torcer por mim e a fazer de fotógrafo, não cortou a meta comigo porque ele não estava inscrito, foi só acompanhar-me, mas mais do que a meta foi todo o percurso com a presença dele, estou deveras agradecida como de todas as outras vezes. 

Foi um dia do pai diferente !

Ficou feita e isso ninguém me tira.
Se foi com tempo mau?! Diria que cada um faz o que pode e consegue mas espero sinceramente que possa vir a melhorar estes tempos.






M.

sábado, 11 de março de 2017

Semi de Paris 2017



Voilà! 

A primeira de 2017 está feita! 

Frio, chuva e vento. É o que retenho maioritariamente desta prova.

Começou tudo na hora de ir buscar os dorsais... vou tentar acreditar que este momento foi mera coincidência e puro azar. 
Chegámos ao local e nem sei como explicar a infinita fila com que me deparei, sem exagero 2 km de pessoas que desenhavam uma serpente ao longo do parque, com impossibilidade de se visualizar o fim e sob chuva.
Um desconforto enorme, sem chapéu de chuva, sem casacos próprios ou pelo menos mais resistentes à água, foi sem dúvida um mau momento e que me fez chamar mil e uma coisas menos boas à organização.
Ao entrar no local, após a longa espera, este encontrava-se dividido por 3 zonas: certificados médicos, dorsais e tshirts. Ainda que ao entrar me tenha assustado porque era tudo "ao molhe e fé em Deus" a distribuição foi bastante rápida. O caminho até à saída era acompanhado de milhões de bancas de vendas de todo o tipo de coisas, meias, bolsas, chapéus, impermeáveis, géis e uma zona enorme dedicada à Adidas que era patrocinadora oficial (ainda que a tshirt não fosse da marca). Conclusão: tudo para apelar às sensações visuais das pessoas para as induzir a comprar, comprar, comprar... Felizmente só tirei uma foto num placard, grátis, e vim-me embora.

Primeiro sofrimento: Feito!

Dia da prova.

Stress ao mais alto nível (nada de novo...).
Acordei relativamente cedo, 7h da manhã e dediquei-me logo ao pequeno almoço.
Sempre tantas incertezas quanto aos pequenos almoços antes das provas. Ovos mexidos, uma barrita de frutos secos e sementes (feita por mim), 2 torradas pequenas com doce de frutos vermelhos, uma sumo de laranja e café.

Nhamiii... 
quanto às vontade nem um 'Oi'.

Os impermeáveis foram improvisados de sacos do lixo de forma a evitar trazer imensa roupa e ficar ainda mais pesada e para servirem de protecção inicial antes da prova.
Reparei que tinham uns caixotes de cada lado para roupa, para doação, para todas as pessoas que se vão despindo à medida que chegam à partida e assim a roupa não vai para lixo e é reutilizada . Gostei. Não me lembro de ter visto isto em Portugal.
Parti no último bloco, não sou rápida, não sou profissional, não tenho necessidade de atrapalhar ninguém. A prova começou às 9h e eu arranquei as 10h40, um grande atrasado em comparação com os primeiros blocos, ia passar a hora de almoço a correr. Esqueci-me de comer a minha banana. Neura.
Tirámos os impermeáveis e começámos finalmente a correr.

Para ser sincera não tirei prazer nenhum a nível de paisagem, chovia, fazia frio e a cada rajada de vento sentia-me congelar, batia contra a minha tshirt molhada e sentia-me a pedrificar. As mãos foram o pior e trouxe lembranças de guerra, desde a prova o meu polegar esquerdo está dormente, coisa que pensei que após um banho de água bem quente aliviasse, mas até à data permanece nestas condições.

O primeiro abastecimento chapéu, não estava preparada e atrapalhei-me um pouco com as imensas pessoas a tentarem recorrer ao mesmo. Decidi ignorar, devia ter 6km não era coisa grave.
Fizeram controlo de chip a cada 5km. Aos 12km não falhei o abastecimento, uma garrafinha de água para um pequenos goles e um pedaço de banana. Comi devagar, sem pressas, dei uns golinhos na água sem exagerar e continuei na minha. Por esta altura o meu miúdo já tinha começado a vacilar, desde o km 9 que já tínhamos baixado o ritmo, que inicialmente para mim até estava a ser bom e ia baixar o tempo da minha primeira meia maratona, até ao km 14 foi feito de forma calma, controlada, com uns retornos para o apanhar, controlo nas subidas, mas ... ele decidiu parar e mandou-me seguir. Desorientei-me por instantes, no que devia fazer, a ideia sempre foi fazer o percurso juntos mesmo que devagar, eu não trazia mais nada do que o meu relógio gps, como faríamos depois? ia ficar perdida... não tinha dinheiro nem para o metro, não sabia o número dele de cor ... mas fui continuando a correr, com um aperto no peito por o ter deixado para trás e por não saber como fazer no fim, num país que não é meu, sem dinheiro, sem telefone, sem identificação...

Até aos 14km foi-se fazendo bem como já referi, depois disso começou a vir a fadiga e a dores, aqui, ali, aborrecidas. Começaram a vir as contas, faltam 7km, faltam 6,5km, 'BIP' mais um controlo, faltam 6km, um abastecimento, deve ser o último, vou devagarinho sem atropelar nem ser atropelada, água check, banana check, ahhh! bolachas! uma check, comi tudo devagarinho, finalizei com uns golinhos de água e continuei.

Já não via forma de chegar, estava aborrecida, com frio, chuva teimosa e heis que me apercebo que é uma descida, uma grande descida, que continuou, km 17, km 18, uma ou outra parte plana e lá voltava a descer e eu a recuperar ritmo, a tentar, km 19 e muita conversa, percebo que há uma zona de fotos, eles anunciam, que porreiros! para evitar os momentos mais peculiares, já não sei se foi antes ou depois dos 20km, sorri, deu-lhes um V de Vitória e segui, 'BIP', último controlo até à meta ou seja 20 km, continuávamos em descida o que ajudava imenso porque me sentia a desfalecer. 

'BIP' e acabou !
21,1 km feitos!

Uma confusão gigante após a meta, seria a entrega das medalhas? comida? não, impermeáveis. Não percebi o porquê de tamanha confusão é só entregar... Ok fui buscar um porque a chuva continuava e tinha parado de correr, o frio atacava-me de tal forma que era duro falar ou mexer, as pernas arrastavam-se, esquerda pior que a direita como já tem vindo a ser habitual, uma dor de virilha que me condicionava bastante o movimento. Lá vesti aquele plástico gigante com capuz e fui buscar a minha medalha em em versão lesma. Sentia-me tão cansada que a medalha foi direitinho para o bolso dos calções.

E agora? Saio daqui? Passo a parte da entrega da comida e aguardo o meu miúdo lá fora? Dava-me jeito comer. Mas e se não o vejo? Ai que tenho tanto frio. Será que ele desistiu ou continuou? Peço a alguém o telemóvel para ligar! Bolas!... Não sei o número. Vou esperá-lo junto ao carro mas como faço com o metro? E como é que ele sabe que eu fui para lá?! 

Encontrei um mini pilar que me serviu de assento, onde me encolhi tanto que devia parecer um caracol de casca azul, aguardei, visualizava todos os que chegavam sem deixar passar um, tinha que ter calções e camisola de manga comprida, bolas ele podia colocar o impermeável e eu ia perdê-lo.
Não controlei o tempo que passou, era impossível mexer-me com o frio mas por um longo momento fiquei mesmo com receio de estar perdida no meio daquela confusão sem saber o que fazer.
Eu conheço aquela camisola e aquelas perninhas e ... e ... é ele!

Desmanchei-me a chorar agarrada a ele, porque senti sentimento de culpa por querer continuar, por não ter continuado com ele, por não ter esperado por ele, porque estava perdida, porque não sabia o que fazer. Tive um momento lamechas, foi um rasgo que me deu nada habitual. Passou.

Fomos atacar a comida, bananas, pauzinhos de chocolate, bolachas digestivas, bolo, entre mil e uma coisas que nem consegui perceber, mais a água claro. 

Uma segunda meia maratona até ao metro, não em distância mas em sofrimento, morria de frio e de dores, deve-me ter custado mais o caminho que fiz até ao metro do que as 2h de corrida. O dia a seguir estava moída mas logo, logo passou e estou pronta para mais uma !






M.